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Fabiano Alcântara
Agência BOM DIA
De cara, é
difícil encontrar algum paralelo entre a Manchester paulista, apelido antigo
dado a Sorocaba que pegou nos anos 1950 em um anúncio da Ligth, e a velha City,
berço da revolução industrial e de bandas como Joy Division, New Order, A
Certain Ratio, The Durutti Column e Happy Mondays.
Mas ao perambular pela
casa de shows Asteroid e ouvir algum hit dos anos 1980 berrando das caixas de
som, desde que você releve o calor, é fácil se sentir entre os anos 1980 e 1990
na The Haçienda, o famoso clube dos anos da "Madchester" – trocadilho com mad
(louco) e o nome da cidade.
Como a The Haçienda, o Asteroid não se prende
a estilos definidos, um dia você testemunha o show de uma nova promessa da
música brasileira, no outro um veterano do jazz e logo depois se depara com
riffs envenenados de uma banda como a Black Drawing Chalks.
Ligadas em
rede, as novas bandas circulam virtualmente e caem na estrada. De volta de uma
turnê pelo Sul brasileiro e com datas no Canadá e nos EUA, a The Name vem
conquistando espaço no indie nacional com seu pós-punk bastante festivo e
moderno.
Ao mesmo tempo em que o som remete a atmosferas oitentistas,
também converge para a pegada característica da gravadora DFA e seu mentor James
Murphy, do LCD Soundsystem. É possível perceber paralelos com The Rapture, Hot
Chip, Radio 4, Le Tigre e também com as clássicas Talking Heads e Gang of
Four.
No mês que vem, a The Name irá ao festival South By Southwest,
local de onde frequentemente surgem apostas mundiais. Se tudo correr como
esperado, eles já tem um mote para a imprensa mundial, explicar porque Sorocaba
é chamada de Manchester paulista.
O baterista Alves fala que as
perspectivas em relação à internacionalização da banda são encaradas com
naturalidade. "Sempre foi uma grande busca nossa fazer excursões e levar nosso
show pra outros países. Queremos apenas que as pessoas lá gostem e consumam o
nosso trabalho e que a gente possa fazer esse tipo de turnê mais e mais vezes,
mesclando datas isoladas com festivais", torce.
Sobre a sonoridade que a
banda está buscando, o baixista Molinari reforça a intenção de fazer algo
dançante. "Como nossa base é o pós-punk, que mescla vários estilos musicais,
conseguimos misturar elementos eletrônicos, percussão e outras influências pra
chegar na sonoridade que temos hoje. E acho que estaremos sempre mudando, sem
perder a essência, mas sempre com músicas para dançar",
conclui.
SUBTERRÂNEO
O verão dos
piratas
Existe outro ponto de aproximação entre Sorocaba e a
Inglaterra. O termo rádio pirata surgiu no início da década de 1960 em Londres
para identificar irradiações em FM cuja estação emissora encontrava-se em um
navio na costa britânica, fora do controle.
A experiência, que forçou a
mídia inglesa a dar espaço para o rock e a cultura pop também guarda relação com
Sorocaba. Um fenômeno ocorrido no começo dos anos 1980 deu origem ao
chamado Verão de 1982 da radiodifusão livre no Brasil.
Segundo o Centro de Mídia Independente, a cidade chegou nesta época a
ter cem emissoras no ar. Algumas delas se chamavam Estrôncio 90, Alfa 1,
Colúmbia, Fênix, Star e Centauros. Também em Sorocaba, em 1985, surgiu a
primeira experiência conhecida de televisão livre na América Latina: a TV Livre
de Sorocaba.
A iniciativa foi organizada por Luiz Algarra, um
ex-repórter da TV Gazeta-SP, Cláudio Gambaro, técnico em transmissão, e Carlos
Alberto de Souza Filho, um estudante de 17 anos. (Fabiano
Alcântara)
RESENHA DA SEMANA
Campanella
surpreende
Conhecido por sua comédia de sucesso "O Filho da
Noiva" (2001), o diretor argentino Juan José Campanella surpreende pela
profundidade e combinação de gêneros de seu novo longa, "O Segredo dos seus
Olhos", indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro o filme, é protagonizado
por Ricardo Darín, ator-fetiche de Campanella, aqui em um registro diferente
daquele que o transformou numa presença constante em comédias
argentinas.
Como pede seu personagem, o oficial de justiça Espósito, ele
tem uma interpretação mais contida e repleta de nuances. A maquiagem contribui
nas idas e vindas no tempo da narrativa, mas é o trabalho do elenco que dá
credibilidade à combinação de estilos e à transição entre passado e presente.
Roteirizado por Campanella e pelo escritor Eduardo Sacheri (autor do
romance no qual foi inspirado), o filme toca em feridas da história argentina
sem nunca fazer destas o seu tema principal, ou sua razão de ser.
É o
filme mais sombrio e mais interessante do diretor que, ao combinar clima noir
com um drama dos romances frustrados, é capaz de prender a atenção. Em se
tratando da direção, aliás, existem algumas sequências memoráveis. Especialmente
uma longa perseguição num estádio de futebol abarrotado de torcedores numa noite
de jogo. (Alysson Oliveira, Reuters)
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