Assis José Vicente, 64, zelador " ‘Não, esqueço de ver o resultado’ "
“Não, sempre me esqueço de conferir o resultado dos sorteios. Nas poucas vezes que joguei, nem sei se ganhei. Não sou uma pessoa sortuda, tudo o que tenho consegui com o meu esforço e trabalho.”
Tiago Silveira, 23, estudante " ‘Não, mas minha namorada joga‘ "
“Não, mas minha namorada joga quase sempre. Acredito que com o prêmio acumulado em R$ 70 milhões ela vai apostar. Eu não tenho muito tempo para pensar em loteria e depois conferir os números sorteados.”
Davilson Santos, 57, autônomo " ’Sim, se conseguir dinheiro jogo‘ "
“Sim, sempre que tenho dinheiro eu jogo. Desta vez se conseguir juntar um trocado até o horário limite vou fazer uma fé. Com o valor do prêmio a vida de qualquer um pode mudar de uma hora para outra.”
Vera Lúcia Campos, 57, dona-de-casa " ’Não, é um jeito ruim de gastar‘ "
“Não, é um jeito ruim de gastar dinheiro. Conheço muitas pessoas que jogam, mas eu não tenho sorte e prefiro aplicar dinheiro em outras coisas. Não confio nos sorteios das loterias e nem em outros jogos.”
Lembro-me de um filme que assisti quando era criança. O policial durão chega à cena do crime, dá uma geral e instrui os subordinados: “Prendam os suspeitos de sempre”. Esta cena veio à minha mente quando observei novamente nas principais avenidas da cidade (ou o que sobrou delas) bandos de calouros tomando trote.
Observei nas pinturas corporais que alguns deles passaram na USP e na UEL. Como duvido que os veteranos destas universidades vieram de São Paulo e Londrina para virem dar um trato nos bichos de Rio Preto, fica a pergunta sobre quem estava dando o trote.
Infelizmente o assunto torna-se relevante apenas quando acontecem “exageros” como o caso do calouro de medicina da USP que morreu afogado na piscina do campus em São Paulo.
Há muito tempo que as faculdades particulares, por receio de tomarem um processo, aboliram a prática do seu espaço físico. Isto não impede que alguns veteranos perpetuem o hábito em outros locais. O que elas podem fazer para acabar com o trote? Campanhas educativas (sic)? Abolir o trote das avenidas por decreto? Proibir a doação de moedinhas para os calouros nos sinaleiros? Impedir que os cursinhos deixem de usar o trote como peça publicitária?
Todo ano é a mesma coisa. Idiotas fazem bobagens com os calouros e todo mundo vai para cima das faculdades particulares. Daqui a pouco, começo a acreditar que tenho jeitão de mordomo de filme de terror. Ou seja, vocação para ser o suspeito de sempre.
Toufic Anbar Neto, médico, é mantenedor da
Faceres
A recente conquista do nono título da Liga Mundial de Vôlei torna a seleção brasileira a maior ganhadora da modalidade no planeta e Bernardinho, o técnico esportivo de maior sucesso no país. Tal performance, que neste momento pretere as chuteiras e suscita o advento da “Pátria de Joelheiras”, justifica análise comparativa com o time de Dunga, eliminado prematuramente na Copa da África do Sul.
Bernardinho não colocou em quadra o melhor jogador de vôlei do mundo, Giba, porque não estava em plena forma; deixou na reserva o próprio filho, Bruninho; e disputou a competição com os melhores atletas que dispunha no momento, sem levar em conta sua idade. Até parece a antítese do time de Dunga, que havia vencido a Copa América e a Copa das Confederações, mas fracassou no objetivo principal do hexacampeonato.
A breve avaliação tem analogia com a economia brasileira, que, a exemplo do time de Dunga, tem conquistas importantes, mas encontra dificuldades para consumar a meta maior do desenvolvimento. Os obstáculos referem-se a problemas crônicos, como juros altos, cujo recrudescimento decorre da consciência, por parte do Banco Central e do Copom, quanto às impossibilidades de o Brasil suportar expansão do PIB próxima ou superior a dois dígitos.
É decisivo entender os porquês da limitação: deficiência da infraestrutura, que reduz a capacidade de movimentação de cargas e encarece os fretes; má qualidade do ensino público, cujos reflexos são a exclusão social e o apagão de mão de obra; impostos muito elevados; e o desequilíbrio fiscal do Estado. São prementes as soluções, por meio das reformas tributária, fiscal, previdenciária, trabalhista e política, lembrando: toda vez que se criam condições adequadas à prevalência de suas virtudes, o Brasil é vencedor. Se alguém dúvida, pergunte a Bernardinho e ao seu time eneacampeão!
João Guilherme Sabino Ometto é vice-presidente da Fiesp, presidente do Grupo São Martinho e membro do Conselho Universitário da USP
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