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OPINIÃO


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Voz do cidadão

Você costuma jogar na Mega-Sena?

  • Assis José Vicente, 64, zelador Assis José Vicente, 64, zelador " ‘Não, esqueço de ver o resultado’ "
    “Não, sempre me esqueço de conferir o resultado dos sorteios. Nas poucas vezes que joguei, nem sei se ganhei. Não sou uma pessoa sortuda, tudo o que tenho consegui com o meu esforço e trabalho.”
  • Tiago Silveira, 23, estudante Tiago Silveira, 23, estudante " ‘Não, mas minha namorada joga‘ "
    “Não, mas minha namorada joga quase sempre. Acredito que com o prêmio acumulado em R$ 70 milhões ela vai apostar. Eu não tenho muito tempo para pensar em loteria e depois conferir os números sorteados.”
  • Davilson Santos, 57, autônomo Davilson Santos, 57, autônomo " ’Sim, se conseguir dinheiro jogo‘ "
    “Sim, sempre que tenho dinheiro eu jogo. Desta vez se conseguir juntar um trocado até o horário limite vou fazer uma fé. Com o valor do prêmio a vida de qualquer um pode mudar de uma hora para outra.”
  • Vera Lúcia Campos, 57, dona-de-casa Vera Lúcia Campos, 57, dona-de-casa " ’Não, é um jeito ruim de gastar‘ "
    “Não, é um jeito ruim de gastar dinheiro. Conheço muitas pessoas que jogam, mas eu não tenho sorte e prefiro aplicar dinheiro em outras coisas. Não confio nos sorteios das loterias e nem em outros jogos.”

Editorial

Desemprego em queda

Acostumados como fomos a sempre relatar péssimas notícias na economia, como aumento do desemprego, descontrole da inflação, altas do dólar, nem sempre percebemos como as coisas mudaram.

Semana passada, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o desemprego no Brasil diminuiu em dezembro para o menor patamar da série histórica. A taxa caiu para 6,8% no último mês do ano, ante 7,4% em novembro. O dado igualou-se à leitura de dezembro de 2008, a menor da série histórica, iniciada em 2002.

Pelo levantamento, o contingente de desocupados nas seis regiões metropolitanas avaliadas correspondeu a 1,592 milhão de pessoas, 7,1% inferior ao grupo de 1,714 milhão de pessoas que estavam sem emprego em novembro de 2009 e pouco acima do 1,567 milhão de pessoas nessa situação no último mês de 2008.

Já o número de ocupados ficou em 21,815 milhões, quase 1% maior do que o contingente de 21,603 milhões nessa condição no penúltimo mês do ano passado e também superior aos 21,507 milhões de dezembro de 2008.

No mês passado, apenas Salvador registrou taxa de desemprego de dois dígitos, de 10,7%. Em São Paulo, o indicador marcou 7,5%. No Rio de Janeiro, o índice se encontrou em 5,4%, maior do que o de Belo Horizonte (5,1%). Em Recife, a taxa foi de 8,4%.

Esses números mostram que o desemprego está deixando de ser uma preocupação para os brasileiros como foi nas últimas décadas.

Parece que conseguimos parrar o estágio em que a procura de uma colocação era o principal alvo de muitos brasileiros.

O crescimento econômico foi o responsável por esta mudança, mas não significa que a batalha está vencida.

Neste momento, temos de voltar as atenções para a recuperação da renda do trabalhador. Corroída por seguidos anos de inflação e recessão, a renda dos trabalhadores tem de melhorar muito nos próximos anos.

Apenas dessa forma conseguiremos ter um mercado consumidor interno forte, que nos livrará completamente da dependência econômica de outros países.

Formador de Opinião

Toufic Anbar Neto
tufi@uniceres.com

O suspeito de sempre

Lembro-me de um filme que assisti quando era criança. O policial durão chega à cena do crime, dá uma geral e instrui os subordinados: “Prendam os suspeitos de sempre”. Esta cena veio à minha mente quando observei novamente nas principais avenidas da cidade (ou o que sobrou delas) bandos de calouros tomando trote.

Observei nas pinturas corporais que alguns deles passaram na USP e na UEL. Como duvido que os veteranos destas universidades vieram de São Paulo e Londrina para virem dar um trato nos bichos de Rio Preto, fica a pergunta sobre quem estava dando o trote.

Infelizmente o assunto torna-se relevante apenas quando acontecem “exageros” como o caso do calouro de medicina da USP que morreu afogado na piscina do campus em São Paulo.

Há muito tempo que as faculdades particulares, por receio de tomarem um processo, aboliram a prática do seu espaço físico. Isto não impede que alguns veteranos perpetuem o hábito em outros locais. O que elas podem fazer para acabar com o trote? Campanhas educativas (sic)? Abolir o trote das avenidas por decreto? Proibir a doação de moedinhas para os calouros nos sinaleiros? Impedir que os cursinhos deixem de usar o trote como peça publicitária?

Todo ano é a mesma coisa. Idiotas fazem bobagens com os calouros e todo mundo vai para cima das faculdades particulares. Daqui a pouco, começo a acreditar que tenho jeitão de mordomo de filme de terror. Ou seja, vocação para ser o suspeito de sempre.


Toufic  Anbar Neto, médico, é mantenedor da Faceres

Ponto de Vista

João Guilherme Sabino Ometto

A Pátria de joelheiras

A recente conquista do nono título da Liga Mundial de Vôlei torna a seleção brasileira a maior ganhadora da modalidade no planeta e Bernardinho, o técnico esportivo de maior sucesso no país. Tal performance, que neste momento pretere as chuteiras e suscita o advento da “Pátria de Joelheiras”, justifica análise comparativa com o time de Dunga, eliminado prematuramente na Copa da África do Sul.

Bernardinho não colocou em quadra o melhor jogador de vôlei do mundo, Giba, porque não estava em plena forma; deixou na reserva o próprio filho, Bruninho; e disputou a competição com os melhores atletas que dispunha no momento, sem levar em conta sua idade. Até parece a antítese do time de Dunga, que havia vencido a Copa América e a Copa das Confederações, mas fracassou no objetivo principal do hexacampeonato.

A breve avaliação tem analogia com a economia brasileira, que, a exemplo do time de Dunga, tem conquistas importantes, mas encontra dificuldades para consumar a meta maior do desenvolvimento. Os obstáculos referem-se a problemas crônicos, como  juros altos, cujo recrudescimento decorre da consciência, por parte do Banco Central e do Copom, quanto às impossibilidades de o Brasil suportar expansão do PIB próxima ou superior a dois dígitos.

É decisivo entender os porquês da limitação: deficiência da infraestrutura, que reduz a capacidade de movimentação de cargas e encarece os fretes; má qualidade do ensino público, cujos reflexos são a exclusão social e o apagão de mão de obra; impostos muito elevados; e o desequilíbrio fiscal do Estado. São prementes as soluções, por meio das reformas tributária, fiscal, previdenciária, trabalhista e política, lembrando: toda vez que se criam condições adequadas à prevalência de suas virtudes, o Brasil é vencedor. Se alguém dúvida, pergunte a Bernardinho e ao seu time eneacampeão!

João Guilherme Sabino Ometto é vice-presidente da Fiesp, presidente do Grupo São Martinho e membro do Conselho Universitário da USP

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