Rafael Henrique, 15 anos, estudante " Ainda estou pensando "
“Estou muito desconfiado e ainda estou pensando no que aconteceu com os caras lá do Sul. Se fosse eu que tivesse ganho e perdido ao mesmo tempo, acho que quebraria tudo de desespero. A esperança estava na mão e sumiu.”
Luciana Silva, 31, funcionária pública " Não pensei a respeito ainda "
“Não pensei a respeito ainda. Não tenho o hábito de apostar muito em loteria. Mas depois do caso dos gaúchos que perderam o prêmio milionário, eu tenho a certeza de que não compraria um bolão pronto.”
Luciana Damásio, 32 anos, vendedora " Tem coisa por debaixo do pano "
“Confesso que fiquei um pouco desconfiada sim depois que saiu a reportagem do bolão furado no Rio Grande do Sul. Dá para perceber que tem coisa debaixo do pano. Eu nunca comprei um bolão. Agora, então...”
Youhanna Inete, 34, técnico de futsal " Desde o caso João Alves e os anões "
“Sim, desde o caso João Alves e o escândalo dos anões que as loterias perderam toda a credibilidade. Isso manchou o sistema lotérico do país. O que é uma pena. A gente achava que tinha seriedade. Não aposto mais.”
O Corpo de Bombeiros em Bauru registrou na segunda-feira 65 chamados para debelar focos de incêndio em mato ou terrenos baldios.
O tempo seco explica, em parte, o alto número de ocorrências. Mas existe algo mais sério por trás das estatísticas: é fruto da negligência, do descaso e da irresponsabilidade de parte da população.
É possível, adotando a necessária cautela, reduzir este índice. O costume de limpar terrenos com o uso do fogo é temerário.
É que, além de prejudicar a qualidade do ar apresenta risco iminente de fugir ao controle e, desta forma, causar um incêndio e prejuízos de grandes proporções.
Por mais que se desdobrem, a infraestrutura de viaturas, de equipamentos e de pessoal disponibilizada ao Corpo de Bombeiros é insuficiente para atender a tanta demanda.
E isso é preocupante, uma vez que, se não atendido em tempo hábil, um foco restrito de incêndio pode se alastrar e causar grandes danos ambientais, atingir casas e inclusive gerar feridos leves, graves e até mortes.
Outro ponto: ainda que seja uma de suas principais atribuições, os bombeiros não cuidam apenas do combate ao fogo.
Ao contrário, exercem outras funções igualmente relevantes em defesa da vida, entre elas o resgate de vítimas de acidentes de trânsito na cidade e rodovias e, também, em rios e lagoas.
Os bombeiros também são responsáveis por vistorias técnicas em imóveis, para expedição de alvarás de funcionamento levando-se em conta a segurança das pessoas. É muita coisa.
O excesso de focos de incêndios, neste contexto, causa outro prejuízo considerável ao trabalho da corporação.
É que a permanência por longos períodos nas ruas prejudica a frequência e o ritmo de treinamento dos bombeiros. E essa é uma questão problemática, uma vez que afeta de forma negativa o desempenho no dia-a-dia.
É preciso que a população se conscientize e colabore. E participe da luta pela redução dos focos de incêndios.
Toda ação neste sentido é bem-vinda: ao invés de queimar o lixo, enterre-o. Jamais atire tocos de cigarros pela janela dos carros. Conscientize as crianças sobre os riscos de brincar com fogo. E faça manutenção preventiva da rede elétrica e nunca acenda velas dentro de casa.
Lula não se avexa das estultices que diz. Ao saber da prisão de Arruda, o
governador que se divertiu com centenas de milhares de reais em suas mãos, Lula
disse que “via com tristeza a prisão, pois isso não era bom para a consciência
política do país”. Um urra ao seu (estrábico) ponto de vista. O que é bom para o
país de Lula é, exatamente, a inconsciência política.
Não é de hoje que o
PT e o próprio presidente minimizam os crimes praticados por políticos. Sarney
foi defendido por Lula por achar que ele não é uma pessoa comum. Renan
Calheiros, Jader Barbalho, Collor e outros tantos criminosos que se divertem com
a corrupção foram defendidos por Lula. Na visão deles, o político é um ser
surreal, que merece privilégios apenas porque está no poder, seja a que custo
for.
Essa mentalidade promíscua e retrógrada só encontra eco nos
corredores do Palácio do Planalto e do Parlamento. Somos vítimas constantes do
escárnio e do deboche dessas figuras, que se julgam inimputáveis por suas ações
criminosas. Arruda, no alto de seu cinismo e de sua espúria experiência
política, havia dito que toda crise passa. Para eles, o que incomoda não é o
fato que gera a corrupção, mas a repercussão de momento que isso tem. Não é à
toa que a ala dura governista luta para calar a imprensa.
O presidente, o
governador e os 600 parlamentares de Brasília podem ficar tranqüilos. A crise,
como as dezenas que mancharam a biografia de Lula e ofuscaram a estrela do PT,
vai passar e, para delírio geral, o que vai valer é mesmo a inconsciência
política. É nisso que eles apostam. E por isso que ganham.
Ivan Garcia Goffi é advogado
Num momento em que chuvas recordes, enchentes e deslocamentos de terra entram
para o cotidiano brasileiro, é alentador que o Programa de Recuperação
Socioambiental da Serra do Mar ganhe vida.
Hoje, o governo do Estado
coloca em prática uma iniciativa que reuniu especialistas de diversas áreas e
transformou-se em projeto inovador, mesmo frente às experiências no exterior.
Mais do que um conjunto habitacional, esta parte da Serra do Mar, na
Baixada Santista, é complexa e abriga imóveis residenciais, áreas para comércio,
serviços públicos e igrejas. A tarefa de transformá-la é um desafio e tanto.
Os pontos principais do Programa prevêem deslocamento dos moradores para
habitações legalizadas e recuperação de áreas degradadas.
O IPT
(Instituto de Pesquisas Tecnológicas) participou ativamente nos elementos
técnicos envolvidos no projeto. O IPT avaliou as condições geológicas e
geotécnicas para escorregamentos de terra, indicando os trechos mais críticos,
onde era obrigatória a remoção de pessoas e apontou os setores de médio e baixo
risco que serão recuperados com projetos de reurbanização. Esses estudos deram
subsídios à tomada de decisão da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional
e Urbano) em relação às necessidades de habitações regulares em outras áreas
para a realocação das famílias e a definição das recomposição vegetal das áreas
de remoção. O IPT também propôs uma metodologia para a etapa inicial de
desconstrução das moradias, levando em conta critérios para reciclagem dos
materiais construtivos.
À primeira vista, desmontar uma habitação parece
algo simples. Mas não em uma região com as peculiaridades da Serra do Mar. São
necessários especialistas em estruturas, pavimentos, infraestrutura, sistemas
construtivos, materiais de construção, madeiras e análise de risco
geológico-geotécnico. Toda a sociedade será beneficiada com esse programa que
permitirá recuperar as áreas de preservação e será uma referência quanto ao
avanço nos indicadores de reciclagem de resíduos de construção.
João
Fernando Gomes de Oliveira é diretor-presidente do Instituto de Pesquisas
Tecnológicas do Estado de São Paulo
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