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LITERATURA

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Patrimônio

Andrea del Fuego

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A autora desta semana é Andréa del Fuego. Nascida em São Paulo, em 1975, escreveu a trilogia de contos "Minto Enquanto Posso" (O Nome da Rosa, 2004), "Nego Tudo" (Fina Flor, 2005) e "Engano Seu" (O Nome da Rosa, 2007, projeto contemplado com a bolsa de incentivo à criação literária da Secretaria do Estado de São Paulo) e os juvenis "Sociedade da Caveira de Cristal" (Scipione, 2007) e "Quase Caio" (Escala Educacional, 2008). Os textos de Andrea também integram as antologias: "Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século" (Ateliê Editorial, 2004), "Fábulas da Mercearia" (Ciência do Acidente, 2004), "30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira" (Editora Record, 2005), "35 Segredos Para Chegar a Lugar Nenhum" (Bertrand, 2007), "Capitu Mandou Flores" (Geração Editorial, 2008), entre outras. O texto escolhido está em seu blog: http://andreadelfuego.wordpress.com. Leia livros!

Patrimônio
Andrea del Fuego

Philip Roth, sem dó.

O romance Patrimônio de Philip Roth é de uma força que poucas vezes senti num livro, esse objeto que deveria ficar calado na estante. Precisei trazer o choro como se enfia o dedo na garganta pra acabar de vez com o enjoo. Chorar pra descarregar a agonia que esse filho da puta me deixou. Filho da puta que é você, Philip Roth. Você podia nos deixar sem saber, sem pegar na dentadura badada do pai, sem ter que limpar a merda no chão do banheiro com a escova de dente, sem colocar cinco pontes de safena, não ter que resolver se liga ou não o pai nos aparelhos. Não pense que o livro foi escrito para que uma mulher em São Paulo chorasse, ou que o livro seja emotivo. O problema é esse, não é a emoção, ou qualquer metáfora que o próprio autor nos desautoriza a recorrer, são os fatos. E depois quem é o herói é o pai, o homem de 86 anos que tenta combater um tumor na cabeça. Na orelha do livro, está lá: o pai de Roth, um herói. Herói é o filho, meu senhor. Cada leitor de Patrimônio, uma história real, sobreviverá ao medo sabendo que ele é inoperável e saber agora, definitivamente, qual é o nosso patrimônio.

Patrimônio aconteceu, e aconteceu com Philip Roth e seu pai, Herman Roth. Foi publicado em 1991. Não se encontra nas livrarias, é uma edição esgotada, suponho.

Lá na PUC, há um pequeno sebo onde encontrei TRÊS exemplares de Patrimônio por R$5,00 cada um. Comprei os três, evidente. Um é meu, ficará calado na estante, outro é da Ivana, e o terceiro poderá ser seu. Vou dividir a agonia. Rifarei um exemplar aqui no blogue em breve, assim que minha irmã me devolver a câmera fotográfica.

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