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13/12/2009

Obesidade infantil acelera doenças em até 20 anos

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Obesidade infantil acelera doenças em até 20 anos
Agência BOM DIA

A obesidade na infância e na adolescência pode antecipar de 10 a 20 anos a manifestação de doenças cardiovasculares.

Como explica o cardiologista Raul Dias dos Santos, diretor da Unidade Clínica de Dislipidemias do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas), a criança acima do peso ideal pode desenvolver síndrome metabólica – caracterizada por associação de fatores de risco para doenças cardiovasculares (ataques cardíacos e derrames) e diabetes.

Nessa condição, a obesidade acarreta outras disfunções, como o aumento progressivo da pressão arterial e dos níveis de triglicérides e de glicose no sangue.

“A síndrome é uma bomba-relógio que pode causar precocemente o aparecimento de diabetes e de doenças do coração e dos vasos”, alerta o médico.

De acordo com o cardiologista, devido ao sedentarismo e à alimentação incorreta, jovens de 18 anos já manifestam aterosclerose – que se caracteriza pelo envelhecimento natural de vasos e de artérias do organismo.

“Quando exacerbada, ela pode levar à obstrução dessas vias de passagem do sangue e, em consequência, a infartos em órgãos importantes, como o coração e o cérebro”, explica o médico.

A aterosclerose pode ser detectada nessa faixa etária pelo ultrassom de carótidas. O exame identifica alterações precoces nessas artérias do pescoço – indicador importante do desenvolvimento da doença cardiovascular.

Por isso, é recomendável que, além de manter o peso em níveis ideais, crianças a partir de 10 anos dosem o colesterol. Com isso, pode-se identificar riscos e corrigir tendências erradas, evitando complicações futuras.

“Em crianças que possuem histórico de doenças cardíacas na família, a medição do colesterol deve ser feita logo aos dois anos”, orienta o cardiologista. Alimentação requer atenção
Para diminuir os riscos de doenças cardiovasculares, alimentação saudável e prática de exercícios devem ser inseridas já na primeira infância.

A nutricionista do Serviço de Nutrição e Dietética do Incor, Juliana Maldonado, lembra que as crianças costumam se recusar a comer verduras e legumes.

Nesse caso, a dica é diversificar as formas de preparo ou variar a apresentação dos pratos, tornando-os mais atrativos. 

Outra sugestão é incentivar a criança a participar do preparo dos pratos ou levá-la à feira ou ao supermercado – isso ajuda a despertar seu interesse.

O cardiologista reforça que é importante que as escolas trabalhem desde cedo os conceitos básicos de uma vida saudável.

“Aulas que abordem os riscos da alimentação desregrada, do consumo de cigarro e que forneçam orientações de como prevenir doenças cardiovasculares deveriam estar no currículo das escolas”, diz ele.

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