Agência BOM DIA
Apesar de ser mais comum em adultos a
partir dos 40 anos, decorrente de alterações metabólicas e vasculares, a
labirintite também pode se manifestar em crianças.
Os sintomas podem não
ser tão perceptíveis aos pais, por isso, a recomendação dos médicos é que os
responsáveis estejam atentos às reclamações dos pequenos.
Segundo o
otorrinolaringologista Ítalo Medeiros, chefe do Ambulatório de Vertigem da
Infância do HC (Hospital das Clínicas), a criança com distúrbios do labirinto
apresenta, em geral, baixo rendimento escolar, costuma se queixar de dor de
cabeça e tem dificuldades para brincar com outras crianças.
O pequeno
paciente também tem tendência a vomitar com facilidade ao andar de carro,
apresenta alterações no sono (terrores noturnos, por exemplo) e, inclusive, faz
xixi na cama porque não consegue levantar à noite para ir ao banheiro, com
receio de ter tontura.
No Brasil, não há dados estatísticos a respeito
da incidência da doença.
“Na maioria dos casos, o distúrbio é
subestimado pelos médicos pela dificuldade de diagnóstico, sendo atribuídos os
problemas a distúrbios neurológicos ou psicológicos”, explica o
otorrinolaringologista.
A família também tende a não levar as queixas da
crianças a sério, especialmente quando ela é muito pequena e não consegue se
expressar.
Em geral, a criança com labirintite é tida como “distraída”,
já que o equilíbrio faz com que ela esbarre com facilidade nos
móveis.
HC usa exercícios para tratamento
No
HC, o tratamento da maioria dos casos é feito por meio de exercícios que
estimulam a visão, o sistema osteomúsculo articular (pescoço e membros) e o
labirinto.
Aos pacientes com labirintite são indicadas atividades
repetitivas de olhos, cabeça, fixação do olhar e marcha. Segundo o médico, elas
devem ser feitas duas vezes ao dia, com frequência de 10 vezes cada, durante um
período de dois a três meses.
“A terapia é lúdica, é inofensiva e a
criança aceita o tratamento como se fosse uma brincadeira: a brincadeira de se
equilibrar”, explica Ítalo.
O tratamento ainda isenta a criança de tomar
remédios, com sérios efeitos colaterais, como sonolência e diminuição de
atenção.
Primeiro, a criança passa por uma avaliação e por exames
otoneurológicos, incluindo a eletronistagmografia (teste que estimula o
labirinto com jatos de água morna e fria no ouvido). Confirmada a doença, a
criança é ensinada a executar os exercícios.