‘A gente está esperando o pior’, diz mineira que vive em Israel há dois anos  – Notícias



Isolada em casa deste o último sábado (7), a mineira Daniela Rozenbaum diz que sente estar vivendo a pandemia da Covid-19 mais uma vez. No entanto, no lugar de um vírus desconhecido, mísseis em direção a Tel Aviv, em Israel, e a presença de integrantes do grupo terrorista Hamas pelas ruas da cidade são os motivos pelos quais a jovem não sai de casa. 


Nascida e criada em Belo Horizonte, Daniela, de 29 anos, foi morar em Tel Aviv em 2021 para trabalhar em uma agência de marketing. Apesar de saber do histórico de conflitos armados na região antes de ir, ela conta que o que acontece agora é sem precedentes e pegou todos de surpresa. “O que aconteceu nos últimos dias é algo que nunca tinha acontecido em Israel. Nunca, nem mesmo nos piores pesadelos, os israelenses imaginavam que isso pudesse acontecer. Então, eu não estava preparada para o que aconteceu agora.”


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Nos últimos dias, um míssil atingiu um prédio a apenas cinco quarteirões de onde Daniela mora. Ela afirma que, apesar de a maioria dos mísseis serem interceptados, os moradores precisam ficar atentos com o alerta de sirenes, que avisam quando eles devem se proteger. “Eu não tenho um ‘bunker’. Os prédios novos, em Israel, têm esse quarto, que é protegido. Eu não tenho essa opção. Eu tenho que ir para o meio da escada, o lugar centralizado do prédio com menos chance de algo ruim acontecer. Eu ouço a sirene e vou correndo, paro tudo que eu estou fazendo e vou para a escada”, ela explica.


Além de conviver com a possibilidade iminente de ter o prédio onde mora atingido por um míssil, a mineira conta que os moradores têm recebido diariamente, nas redes sociais, inúmeros vídeos que mostram o que integrantes do grupo terrorista Hamas têm feito com reféns, muitos deles civis. Por segurança, ela decidiu não sair de casa. “Ainda existem alguns restaurantes abertos e também aplicativos de delivery. É exatamente igual à Covid, a pessoa deixa a sacola, vai embora e depois de alguns minutos, eu abro a porta para pegar.”


Daniela tem uma conhecida que está desaparecida e outros dois que estavam na rave invadida pelo Hamas no sábado. “Um deles teve que se esconder em uma pilha de pessoas mortas e o outro teve que sair correndo com bazuca e mísseis sendo jogadas em cima dele.” Para a mineira, é uma “sorte” ser imigrante e não ter tantos conhecidos mortos, desaparecidos ou indo para o Exército. Se a situação não fosse essa, ela acredita que estaria com o estado psicológico ainda mais abalado.



Atualmente, o governo brasileiro já iniciou o processo de repatriação de turistas, mas ainda não informou quando brasileiros residentes de Israel, que desejam voltar para o Brasil, serão repatriados. No entanto, Daniela diz que, por enquanto, deve continuar em Israel e tenta explicar essa decisão para os familiares que se preocupam com sua segurança. “Eu tenho toda uma vida aqui, né? Tem meu apartamento, tem meu trabalho. Eu tento dialogar, explico que eu estou relativamente segura, me sinto segura e eles tentam fazer com que eu mude de ideia e queira voltar para o Brasil”, comenta.


Para tranquilizar os familiares e amigos, a jovem começou a publicar nas redes sociais atualizações sobre sua situação. O que ela não esperava era que começaria a receber mensagens de ódio. “Falam que a gente merece, que o que aconteceu foi merecido. Eu fico muito assustada com a falta de empatia que tiveram com essas mais de mil vítimas nas redes sociais.”



Apesar das mensagens de ódio, Daniela acredita que é importante as pessoas terem acesso a relatos daqueles que estão vendo de perto toda a situação.”Eu acho que é muito importante as pessoas entenderem, de uma pessoa que realmente está vivendo dentro de Israel, o que está acontecendo. Se eu recebo muitas fake news, imagina as pessoas que estão fora de Israel? Por mais que seja só a minha experiência, eu acho que é válido para informar a população.”


A analista de dados confessa que está apreensiva com os próximos dias, principalmente após ficar sabendo, momentos antes da entrevista concedida ao R7, de que o Hamas anunciou que vai executar reféns e transmitir ao vivo caso Israel não cesse ataques a alvos civis em Gaza. “Eu estou muito mais preocupada com os outros, com as pessoas que foram sequestradas, do que comigo. Eu estou muito preocupada também com o lado palestino, com certeza vários civis já estão morrendo e vão morrer na Faixa de Gaza”, desabafou.


A mineira também revelou que a última orientação do governo de Israel é que os moradores estoquem água e enlatados e comprem lanternas, um pedido que ela nunca havia recebido nos últimos dois anos. “Eu não sei o que esperar para os próximos dias, mas a gente está esperando o pior.” 


Na tarde desta segunda-feira (9), decolou, de Brasília, o segundo avião de repatriação de brasileiros para Israel. A aeronave segue em direção ao aeroporto de Roma. O governo federal solicitou aos brasileiros interessados no repatriamento que preencham um formulário disponibilizado pela Embaixada do Brasil em Tel Aviv.




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