Alckmin critica teto de gastos, mas defende modelo com âncora fiscal



O vice-presidente eleito e coordenador da transição, Geraldo Alckmin (PSB), criticou o teto de gastos e disse que “é mais problema do que solução” da forma como está hoje. Mas ele defendeu um modelo com âncora fiscal, o qual levaria em conta “superávit primário com a perspectiva de curva da dívida e gastos do governo”. A afirmação foi feita em entrevista à CNN Brasil.

“Nós vamos chegando num entendimento, que também é do Tesouro [Nacional] e do mercado, de que, embora a intenção seja boa, o teto de gastos, do jeito que está hoje, é mais problema do que solução. Tanto que não foi cumprido ano nenhum”, disse Alckmin à CNN ao fazer referência ao governo de Jair Bolsonaro (PL).

Alckmin disse que o novo modelo ainda está sendo debatido, mas ressaltou que haverá responsabilidade fiscal na futura gestão e que a PEC fura-teto não é um “cheque em branco” para os gastos extras do novo governo. Ele salientou que se trata de um anteprojeto e agora o texto será construído pelos deputados federais e senadores.

Ao falar sobre a questão na quinta-feira, ele disse também que “não há razão para ter esse estresse” em relação à PEC fura-teto. Alckmin considerou que a reação do mercado financeiro à proposta do governo de transição é “momentânea”. O texto foi apresentado nesta quarta (17) com a previsão de liberar do teto de gastos R$ 198 bilhões em 2023.

Reações do mercado às declarações de Lula

As manifestações de Alckmin ocorreram após o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltar a defender o fim do teto de gastos e afirmar que é preciso “resolver” a situação social do Brasil – ainda que isso tenha consequências econômicas, como o aumento do dólar e a queda da bolsa.

“Temos de fazer um país mais humano. Se não resolvermos a situação social, não vale a pena governar o país. Vai aumentar o dólar, cair a bolsa? Paciência”, disse Lula, segundo declaração publicada pelo jornal Valor Econômico. O petista também criticou a retirada de investimentos da área social para que seja cumprido o teto de gastos.

Após as novas declarações de Lula, o dólar comercial abriu a quinta-feira (17) em alta de 1,79% e era negociado a R$ 5,4761. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores (B3), caiu 2,33% e chegou aos 107.647 pontos na manhã de quinta.

No fim do dia, a cotação do dólar ficou em R$ 5,402 na venda. Foi a maior cotação de fechamento desde 22 de julho, quando a moeda americana atingiu R$ 5,497. Mas o dólar chegou a bater R$ 5,529 nesta quinta. Já o Ibovespa recuou 0,49% e fechou a quinta-feira aos 109.702 pontos.



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