Apostador disse que proposta feita a jogador do DF para manipular jogos era ‘coisa comum’ – Notícias



Após a abertura pela Polícia Federal de um inquérito sobre manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro de Futebol, veio à tona denúncia feita em 2022 pelo Paranoá Esporte Clube, da primeira divisão do Campeonato Candango, de tentativa de suborno por um perfil de rede social vinculado a apostas esportivas para que atletas do time manipulassem resultados de partidas. Um dos jogadores recebeu uma proposta de 400 euros (R$ 2.173,64 na cotação atual). O fato foi denunciado à Federação de Futebol do Distrito Federal (FFDF).


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Embora apenas uma conversa tenha sido divulgada, o clube afirma que dois atletas profissionais foram abordados. As telas mostram que o perfil pergunta se é “normal” para o jogador receber uma oferta financeira em moeda estrangeira. O atleta, então, pergunta se não seria uma forma de manipulação e o apostador responde “sim, mas você não precisa perder nada”.



Logo após saber da situação, o próprio clube entrou em contato com o perfil. Em uma das respostas, o apostador garante que o que estava acontecendo era “uma coisa comum”, mas que descobriu que o time “tem jogadores honestos”.




O diretor-executivo do Paranoá Esporte Clube, Luís Felipe, afirma que encaminhou um ofício para o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e confirmou que representantes do time foram ouvidos. Ainda segundo Assis, a equipe trabalha na concientização dos atletas, além de acompanhar de perto a rotina de todos. “O Paranoá coibe veementemente ações de apostas ilícitas”, afirmou.


Na época, a Federação de Futebol do Distrito Federal disse não compactuar com ações ilegais e que estava empenhada em combater a manipulação de resultados dentro do futebol brasiliense. “[Essa ação] desgasta e prejudica a nossa competição e a grande maioria dos nossos profissionais que atuam com dedicação e bom caráter”, completou.






Investigação do MPDFT





Em outra frente investigativa, jogos da primeira fase do Candangão 2021 são alvos de inquérito do MPDFT. Segundo a instituição, representantes da FFDF pediram ajuda para apurar suposta manipulação dos resultados.


Dias após das investigações serem iniciadas, o auditor processante do Tribunal de Justiça Desportiva do DF (TJDDF) Fernando Silva Júnior acatou um pedido da Procuradoria da Justiça Desportiva (PJD) e solicitou para que as súmulas de qualquer partida que tenha alguma suspeita de manipulação fossem entregues para análise.


No entanto, ele também pediu especificamente os documentos de três jogos: “Formosa 1 x 6 Samambaia”, “Ceilâdia 8 x 1 Samambaia” e “Samambaia 0 x 3 Santa Maria”. A decisão também determina que os presidentes do Ceilândia, Santa Maria e Formosa, além de representantes da FFDF e do Sindicado/Associação dos Árbitros do Distrito Federal, sejam ouvidos.



O diretor da FFDF, Márcio Coutinho, afirmou que o pedido de investigação partiu da própria federação e que os dirigentes procuraram a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para indicar as suspeitas. Atendendo a uma sugestão feita pela entidade federal, a FFDF contratou uma empresa internacional especializada na identificação de possíveis manipulações em partidas de futebol. Coutinho garantiu que todos os jogos profissionais e amadores da cidade são monitorados de perto.


A direção do Samambaia afirmou que o admininstrativo do clube foi trocado no segundo semestre de 2022. O R7 entrou em contato com o MPDFT e os outros citados na matéria, mas ainda não teve retorno. 


Febre das apostas


O investimento de casas de apostas esportivas em times brasileiros cresceu nos últimos anos. Diversos grupos se espalham nas redes sociais com apostadores divulgando rendimentos altos ou lamentando a “falta de sorte”. Em um dos comentários, um participante afirma que apostou R$ 400 e conseguiu faturar R$ 5.082. “Pão de queijo salvo com sucesso”, brincou. Outro lamenta que, mesmo investindo dinheiro, não ganha nada há quatro meses.



Pensando nisso, o governo federal prepara uma medida provisória para regulamentar o mercado de apostas esportivas no Brasil. O texto prevê que as empresas que operam no país tenham uma arrecadação menor e, ao mesmo tempo, passem a destinar mais receita aos cofres públicos. As casas de aposta serão taxadas em 16% sobre o chamado “gross gaming revenue”, que é a receita obtida com todas as apostas feitas menos os prêmios pagos aos apostadores.


Leia mais: Proposta para regular apostas esportivas prevê reduzir lucro de empresas


Máfia das Apostas


A Polícia Federal vai abrir um inquérito sobre a chamada Máfia das Apostas e um grupo suspeito de manipular jogos das séries A e B do Campeonato Brasileiro e de torneios estaduais entre 2022 e 2023. A decisão foi tomada após determinação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino nessa quarta-feira (10).



Investigações do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) mostram que os suspeitos coagiram jogadores profissionais de futebol com oferta de valores entre R$ 50 mil e R$ 100 mil àqueles que cometessem eventos previamente determinados nas partidas. Derrota no primeiro tempo, número de escanteios e de cartões, por exemplo, poderiam render até R$ 100 mil ao jogador participante do esquema.


Na denúncia, o Ministério Público goiano também pede a todos os denunciados que paguem, em grupo, um valor mínimo de R$ 2 milhões para reparar o dano moral coletivo.



“O parâmetro utilizado para a definição do valor refere-se a uma das expectativas de lucro do grupo criminoso com a utilização de dezenas de contas que foram empregadas nas apostas manipuladas descritas na denúncia”, diz o órgão.



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