“Bolsonaro sempre me deu toda liberdade”, diz presidente do Banco Central



O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, diz que nunca recebeu reclamações do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por sua atuação à frente da autoridade monetária, ao contrário de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem é alvo frequente de críticas.

“Bolsonaro sempre me deu toda liberdade, nunca tive nenhum problema. Nunca ligou pra reclamar de nada. Nunca interferiu em nada, zero. A gente, às vezes, escuta muito ‘ah, presidente autoritário’. Eu não era tão próximo, mas no que tangia ao meu trabalho, eu sempre tive liberdade total”, disse em entrevista ao programa Conversa com Bial, da TV Globo, exibida na madrugada desta terça (3).

Campos Neto comentava sobre sua atuação à frente do Banco Central e a relação com Lula, com quem teve uma reunião para aparar arestas na semana passada para “construir uma relação de confiança”, disse. Na entrevista da TV, disse que o encontro com o presidente durou uma hora e meia e que ele mais foi ouvido do que questionado.

Segundo o presidente do BC, “Lula gasta mais tempo prestando atenção no que você fala. Ele dedica mais tempo, tem mais paciência para as conversas”. Campos Neto diz que as conversas com Bolsonaro eram mais rápidas, e que ele tinha que falar tudo o que precisava em três minutos. “Depois dos três minutos ficaria mais difícil, porque ele ficava mais disperso”, completou.

Roberto Campos Neto diz que a reunião da semana
passada foi a segunda que teve com Lula, sendo que a primeira foi no final de
2022 durante o período de transição. No encontro deste ano ele diz que “ouviu
mais do que falou”, um pouco diferente daquele primeiro.

Ainda segundo o presidente da autoridade
monetária, a relação dele com membros do governo não é das mais tranquilas e
tem “ruídos” por conta da diferença de pensamentos.

“Acho que é um governo que, por construção, tem
pessoas que pensam de forma diferente que estão tentando chegar em um lugar
comum: melhorar a vida dos brasileiros. Obviamente não vamos pensar igual em
tudo, mas estamos bem alinhados. E, na verdade, sempre estivemos bem alinhados”,
afirmou sobre a relação com o ministro Fernando Haddad, da Fazenda.

Apesar das críticas do presidente de que Campos Neto seria orientado por Bolsonaro nas decisões que toma – Lula chegou a mencionar isso num discurso em Fortaleza no começo de setembro –, ele diz que não era próximo do ex-presidente e que só aceitou ser indicado ao cargo por ter combinado previamente que não teria interferência do governo em sua gestão.

Campos Neto foi indicado à presidência do Banco Central em 2019, sendo que a autonomia da autarquia foi regulamentada dois anos depois. O mandato dele vence no dia 31 de dezembro de 2024.



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