‘Cachorro louco’: quem é Ramzan Kadyrov, brutal aliado de Putin? – Notícias



O líder da Tchetchênia, Ramzan Kadyrov, que afirmou estar “orgulhoso” do filho Adam Kadyrov, de 15 anos, após ele ter sido filmado espancando um prisioneiro detido por acusação de queimar uma edição do Alcorão — o livro sagrado do Islã —, é aliado próximo do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Kadyrov é, inclusive, conhecido como “cachorro louco”, “cão de guarda” e “cão de ataque” do mandatário russo.


Assim que Putin declarou guerra contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022, Kadyrov anunciou que lideraria uma tropa de soldados tchetchenos a caminho de Kiev para mostrar lealdade ao presidente russo. O líder da Tchetchênia também se ofereceu para que seu exército pessoal sucedesse aos mercenários do grupo Wagner após a tentativa de rebelião dos paramilitares.



A Tchetchênia é uma das repúblicas da Federação da Rússia e tem maioria muçulmana. Ao elogiar o filho, Kadyrov afirmou que o adolescente defendeu sua religião e provou ter “ideais de honra e dignidade”.


Kadyrov, hoje com 46 anos, comanda o país desde 2007. Antes disso, o líder do país era o pai dele, Akhmat, nomeado pela Rússia em 2000, após duas guerras sangrentas na Tchetchênia. A família recebeu dinheiro do governo russo para reconstruir a região, que passou por duas guerras após o fim da União Soviética, em 1991.


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Kadyrov cultiva a reputação de líder autoritário e sanguinário, ligado a execuções, ao uso de tortura e a violações de direitos humanos. Há inúmeros relatos, inclusive, de perseguições contra pessoas que trabalham para preservar os direitos humanos na Tchetchênia.


O site da FairPlanet, que promove jornalismo de soluções para os direitos humanos e o meio ambiente, relata um caso ocorrido em 2015, em que o juiz e protetor de direitos humanos Salim Yangulbayev e seus dois filhos foram levados a Kadyrov, torturados e jogados em uma prisão secreta. Yangulbayev foi libertado depois de alguns meses, mas logo voltou para a prisão por mais um ano e meio, onde foi novamente torturado e lhe foi negado atendimento médico.



Em janeiro de 2022, a família Yangulbayev voltou a ser maltratada pelas autoridades tchetchenas, quando Salim e a esposa, Zarema Yangulbayeva, foram capturados por homens à paisana na Rússia e obrigados a andar 1.600 quilômetros de carro em direção ao sul, até a Tchetchênia.


Depois de ver a identidade do juiz federal, os homens decidiram deixá-lo ficar, mas agarraram Zarema e a forçaram a entrar em um carro sem roupas de inverno e sem sapatos, a menos de 10ºC. Poucos dias depois, ela foi localizada em uma prisão tchetchena, onde estava confinada por agredir um policial.


Um caso mais recente de violência que envolveu Kadyrov ocorreu em setembro deste ano, quando ele foi acusado de ter cometido um assassinato brutal. A vítima seria Elkhan Suleymanov, ex-vice-primeiro-ministro da Tchetchênia e médico pessoal de Kadyrov, por quem ele acreditava ter sido envenenado.


O corpo de Sueleymanov nunca foi encontrado. Ele parou de postar para seus 55 mil seguidores no Instagram há um ano e não foi visto desde então. Apesar disso, o canal russo Telegram VChK-OGPU, que afirma ter informações privilegiadas sobre as forças de segurança russas, alegou que Kadyrov matou Sueleymanov, enterrando-o vivo.


O episódio aconteceu poucos dias antes de Kadyrov, que enfrenta uma doença grave, ter sido hospitalizado em coma. O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), que anunciou seu estado de saúde, não entrou em pormenores sobre a condição do líder tchetcheno, mas adiantou que a situação estava piorando. Após ter passado 20 dias sem ser visto, ele divulgou em setembro um vídeo em que aparece num hospital, para provar que ainda estava vivo, em meio a alegações sobre seu quadro de saúde.



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