Campos Neto nega atuação política e diz que atuará para aproximar BC do governo



O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para aproximar a instituição do governo. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (13), Campos Neto negou que tenha atuado de forma política no comando do BC.

“O Banco Central é uma instituição de Estado, precisa trabalhar com o governo sempre. Estamos sempre abertos a trabalhar com o governo, a colaborar. Eu entendo que existe pressa da parte do presidente Lula, eu entendo que existe uma agenda social”, afirmou. “O Banco Central precisa trabalhar junto com o governo e eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para aproximar o Banco Central do governo”, acrescentou.

Questionado sobre sua proximidade com ex-integrantes do governo Bolsonaro, ele ressaltou que é importante diferenciar proximidade com independência de atuação. “Se o Banco Central tivesse leniente, se quisesse participar politicamente, não teria subido o juro, teria até feito até uma política para estourar a inflação, mas foi uma coisa que não fez”, pontou.

O economista lembrou que durante a campanha presidencial de 2022 “houve uma tentativa de politizar o Pix”. Campos Neto afirmou que recebeu políticos de diversos partidos no BC. “Acho que eu sempre atuei para isolar o Banco Central do círculo político”, disse.

Críticas de Lula ao BC

Nas últimas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez reiteradas críticas ao Banco Central (BC) e à atuação de Campos Neto. O presidente chegou a dizer que a autonomia da autarquia, aprovada pelo Congresso em 2021, é “bobagem”. Além disso, Lula criticou taxa básica de juros, definida pela autoridade monetária.

“Não é possível que a gente queira que este país volta a crescer com taxa de 13,75%. Nós não temos inflação de demanda. É só isso. É isso que eu acho que esse cidadão [Campos Neto], indicado pelo Senado, tenha possibilidade de maturar, de pensar e de saber como vai cuidar deste país. Ele tem muita responsabilidade”, disse Lula.

No último dia 1º, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano. O índice está em vigor desde agosto de 2022. Durante a entrevista ao Roda Viva, o economista afirmou que o BC “não gosta de juros altos”.

“O Banco Central não gosta de juros altos. A nossa agenda toda é social. A gente acredita que é possível fazer fiscal junto com bem-estar social, mas é difícil ter bem-estar social com inflação descontrolada”, pontuou.

Reunião do CNM e metas da inflação

O Conselho Monetário Nacional (CMN) deve se reunir nesta semana pela primeira vez no novo governo Lula. Uma das responsabilidades do colegiado é definir a meta de inflação. “Importante dizer que nós não estudamos mudança de meta. Não entendemos que a meta é um instrumento de política monetária”, afirmou.

Campos Neto disse ainda que o BC realiza estudos para o aprimoramento do sistema de metas para “melhorar a eficiência do cumprimento das metas”. O economista não detalhou quais seriam as propostas de aprimoramento para a meta. Ele afirmou que tem conversado com os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento), que fazem parte do CNM, sobre o cenário econômico.



Source link