Entenda o que é otite bacteriana, que obriga o apresentador Sikêra Jr. a ficar sedado no hospital – Notícias



Na última quarta-feira (15), o apresentador Sikêra Jr. foi internado no hospital Santa Júlia, em Manaus, em decorrência de um quadro de otite bacteriana severa. A notícia foi dada pela esposa, Laura Peixoto, nas redes sociais.


O último boletim médico de Sikêra diz que ele está “internado na UTI e apresenta quadro estável”. De acordo com Laura, o casal estava pousando no aeroporto quando a dor de ouvido do apresentador apareceu.


Maura Neves, otorrinolaringologista do hospital universitário da USP (Universidade de São Paulo), explica que a condição consiste em uma infecção bacteriana no ouvido e pode ter sido desencadeada por um trauma por variação de pressão.


“Normalmente a otite bacteriana acontece na orelha média, que é a região atrás do tímpano, onde estão os ossículos do ouvido — martelo, bigorna e estribo. Ela é causada por infecções do trato respiratório [sinusite ou resfriado, por exemplo] precedidas por infecções virais e, na sequência, se tornam infecções bacterianas “, informa Maura.


Danilo Sguillar, médico otorrinolaringologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo,  acrescenta que isso ocorre porque “parte da secreção que é produzida na região do nariz pode ganhar a região da orelha média. Essa secreção acumulada vira meio de cultura para bactéria”.



A mudança de pressão durante a descida do avião pode ter sido o gatilho para o início da condição.


“Pode ter sido um barotrauma, que é um trauma por variação de pressão. Isso acontece em pousos, decolagens ou mergulhos. Isso pode levar a uma alteração dentro da orelha média, desde uma ruptura no tímpano, desarticulação da cadeia circular ou alterações dentro da orelha interna. Pode predispor o início de um quadro infeccioso”, afirma Maura.


Segundo a otorrinolaringologista, quando a pessoa está com algum quadro de gripe, resfriado ou com sensação de ouvido cheio (congestão), o voo também aumenta o risco de desenvolvimento de um trauma pela variação de pressão.


A especialista também complementa que a classificação otite severa, recebida pelo apresentador, não existe, há apenas a otite média aguda bacteriana ou com desdobramentos. Isso pode indicar, possivelmente, que o quadro teve algum tipo de complicação.


“Não conseguimos determinar exatamente o que quer dizer, pode ser qualquer coisa. A complicação pode se estender além do ouvido, para trás do osso do ouvido, pode compreender uma crise de labirintite, uma paralisia facial, uma perda mais acentuada da audição, ou simplesmente não ter uma resposta ao tratamento com antibiótico”, relata.


Os sintomas mais comuns da otite bacteriana são dor de ouvido forte, redução da audição, febre, tontura intensa, dor de cabeça, zumbido, alterações visuais e até mesmo paralisia facial.


“[Os sintomas também podem ser] vômito, irritabilidade, manchas avermelhadas na pele e confusão mental. Como a bactéria pode adentrar a região cerebral, pode rebaixar o nível de consciência”, inclui Sguillar.


Para diferenciar esses sinais de uma dor de ouvido comum, a especialista explica que, quando houver tontura a ponto de prejudicar o equilíbrio acompanhada de dor forte no ouvido e febre que não melhora, o quadro exige intervenção médica.



A sedação do apresentador, segundo a esposa, foi uma forma de manter Sikêra no hospital, para que ele não fuja e, assim, as medicações façam efeito mais rápido. De acordo com Maura, de fato, pode se tratar de um caso individual, já que não é comum que a otite bacteriana seja motivo de sedação.


“Realmente não dá para saber. A otite invariavelmente é uma doença que dói bastante, e cada um tem uma percepção de dor, então pode ser [que tenha ocorrido] porque ele estava com bastante dor — são só conjecturas”, diz a otorrinolaringologista.


Maura ainda diz que, na maioria das vezes, o paciente só é sedado se houver uma complicação intracraniana, meningite ou abscesso, por exemplo. Até mesmo uma quantidade significativa de remédio para dor pode ser entendida como sedação.


Vale ressaltar que esses quadros precisam, muitas vezes, de antibiótico para o tratamento, por serem infecções bacterianas.


Pessoas imunossuprimidas, com câncer, diabetes ou qualquer doença que faça uso de corticoide devem manter uma atenção dobrada. “Nesses pacientes, qualquer infecção tem uma tendência de se disseminar mais rapidamente”, relata Maura.


Por fim, a especialista reitera que crianças com febre persistente e dor no ouvido devem ser levadas ao hospital, para acompanhamento especializado.


“Precisa tratar rapidamente, porque é uma doença potencialmente letal”, alerta Sguillar.



*Estagiária do R7, sob supervisão de Carla Canteras


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