Maioria dos brasileiros não controla pagamento das prestações


Para 45% dos entrevistados, as lojas online e aplicativos são os canais de compra que mais estimulam o consumo pelo crédito facilitado

Dividir o valor de uma compra em várias prestações é um hábito comum do consumidor brasileiro e um grande aliado na hora de adquirir um bem. Levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, aponta que 51% dos consumidores entrevistados tinham prestações de compras no cartão de crédito, cartão de lojas, crediário ou cheque pré-datado a pagar no mês anterior à pesquisa, resultando na estimativa de 71,1 milhões de consumidores com contas parceladas. Os entrevistados afirmam ainda que possuem em média 5,6 parcelas de compras no crédito (uma prestação a mais frente ao mesmo levantamento feito em 2022).

Porém, outro dado chama a atenção na pesquisa: mais da metade dos entrevistados não realiza controle do pagamento das prestações. Os dados revelam que quase a metade dos entrevistados (49%) realizam o controle do pagamento das compras parceladas, sendo que 24% anotam em um caderno, agenda ou papel, 15% anotam em planilha no computador e 10% registram em aplicativo para finanças no celular. Por outro lado, 51% não fazem controle dos gastos. O levantamento aponta ainda que 52% dos entrevistados possuem até 75% da sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas em atraso. E para decidir sobre a contratação de uma modalidade de crédito, seja empréstimo, financiamento, cheque especial ou rotativo do cartão, 77% afirmam que verificam as tarifas ou os juros cobrados ao contratar um crédito.

“O controle efetivo dos gastos é importante para que o consumidor não comprometa todo o orçamento com dívidas. Ao assumir um novo compromisso financeiro, é preciso ter em mente os compromissos já assumidos, além dos gastos do dia a dia, que não podem ser esquecidos. Se as parcelas consomem todo o orçamento, os atrasos começarão a surgir, trazendo despesas com juros e impondo a necessidade de fortes ajustes de gastos e renegociações”, alerta Merula Borges, especialista em finanças da CNDL. A pesquisa mostra os riscos da contratação de crédito pelo consumidor, uma vez que 34% admitiram ter ficado com o nome sujo devido a inadimplência no pagamento das compras parceladas feitas nos últimos 12 meses, sendo 21% devido ao cartão de crédito. Entretanto, 60% não foram negativados.

Compras por impulso
Outro risco apontado pela pesquisa é a compra por impulso, muitas vezes motivada pelo crédito fácil. Questionados sobre a compra de itens que não precisavam e não tinham planejado comprar, 60% admitiram que acabaram cedendo a essa tentação no mês anterior a pesquisa, justamente pela facilidade de crédito, principalmente com compras de roupas, calçados e acessórios (22%), de supermercado (18%) e de perfumes e cosméticos (14%). Na comparação com o ano passado percebe-se queda do consumo não planejado nos segmentos de supermercado, farmácia, brinquedos, serviços de beleza e estética e móveis.

As estratégias de marketing das empresas para fomentar o aumento do consumo mostram-se efetivas tanto no ambiente online quanto físico, revela a pesquisa. Para 45% dos entrevistados, as lojas online e aplicativos são os canais de compra que mais estimulam o consumo pelo crédito facilitado. Para 31% são as lojas de departamento, 26% os supermercados e outros 26% lojas de roupas, sapatos e acessórios.

A opção pelo pagamento à vista ou a prazo, por meio de alguma forma de crédito, depende em grande medida do tipo de bem considerado. Para a maior parte dos bens e serviços considerados pela pesquisa, os consumidores demonstram preferência pelo pagamento à vista. No caso dos serviços de beleza, 43% usam o Pix e 17% o cartão de débito, quando se trata de mantimentos e compras de supermercado, 33% dos consumidores utilizam o cartão de débito e 18% o Pix. Duas categorias de bens mostraram maior preferência pelo pagamento a prazo: é o caso de roupas e acessórios, que 41% dos consumidores preferem deixar para pagar utilizando cartão de crédito e os eletroeletrônicos (50%). 



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