mercado vê inflação, juros e rombo fiscal maiores após fala de Lula


O presidente Lula em café da manhã com jornalistas na sexta (27): petista descartou chances de déficit zero em 2024.
O presidente Lula em café da manhã com jornalistas na sexta (27): petista descartou chances de déficit zero em 2024.| Foto: André Borges/EFE

O mercado financeiro começou a mudar suas projeções depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descartou chances de déficit zero nas contas públicas em 2024.

Segundo o boletim Focus, publicado pelo Banco Central na manhã desta segunda-feira (30), bancos e consultorias passaram a esperar inflação, taxa básica de juros e déficit primário maiores no ano que vem.

A coleta de dados foi feita na sexta-feira (27), mesmo dia em que Lula afirmou que o governo “dificilmente” conseguirá zerar o déficit. “Até porque não queremos fazer corte de investimentos e de obras”, explicou o presidente.

A meta de eliminar o rombo das contas públicas no ano que vem consta do novo arcabouço fiscal, preparado pelo Ministério da Fazenda, que foi sancionado pelo próprio Lula há apenas dois meses. O petista chamou o mercado de “ganancioso demais” por cobrar o cumprimento desse objetivo.

Analistas já não acreditavam que o governo bateria a meta, mas os sinais de descaso do chefe do Executivo podem abrir brechas para um resultado ainda pior.

A mediana das projeções para o déficit primário de 2024 subiu de 0,75% do PIB, no relatório anterior, para 0,78% na edição divulgada nesta segunda. Quando se consideram apenas as expectativas mais recentes, divulgadas por bancos e consultorias nos últimos cinco dias úteis, a mediana indica um déficit ainda maior, de 0,88% do PIB.

Enquanto isso, a expectativa mediana para a inflação de 2024 passou de 3,87%, no relatório publicado há uma semana, para 3,9%.

Também piorou a previsão para a taxa básica de juros (Selic) ao fim do próximo ano. Ela havia ficado estável em 9% por 11 semanas, e agora subiu para 9,25%.



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