Ministro pedirá demissão de “diretor do arroz” da Conab após leilão anulado



O ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, confirmou neste sábado (22) que pedirá a demissão de Thiago José dos Santos, diretor de Operações e Abastecimento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O pedido, diz, será encaminhado na segunda (24) e será a segunda baixa na área agrária após o leilão frustrado para a compra de 263,3 mil toneladas de arroz importado, que foi anulado após suspeitas de irregularidades.

Santos é o responsável pela área que comandou o processo, e tinha ligação com o ex-deputado Neri Geller, então secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, que também foi demitido por suspeita de informação privilegiada ao filho, sócio de uma das corretoras participantes do leilão — ele, no entanto, alegou estar sendo usado como “bode expiatório” por falhas no edital de leilão.

“Conforme ajustado com o ministro Carlos Fávaro, envio para o Conselho de Administração da Conab o pedido de demissão de Thiago José dos Santos”, disse Teixeira ao UOL.

Segundo o ministro, a decisão de demitir Santos já foi levada – e autorizada – por Carlos Fávaro, titular da pasta da Agricultura.

Nesta sexta (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se referiu ao leilão como uma “falcatrua numa empresa” das que participaram, mas sem citar qual delas. Das quatro vencedoras do certame, três não tinham condições técnicas e financeiras de operar no mercado de compra e venda de grãos, o que levantou a suspeita de irregularidades. Ao todo, o governo gastaria R$ 1,3 bilhão com a compra.

Fávaro disse que o governo pode reconsiderar a realização do leilão para evitar o aumento dos preços e a escassez de arroz devido à crise climática no Rio Grande do Sul, principal produtor do grão no país. Entretanto, Paulo Teixeira discordou publicamente dessa possibilidade, afirmando que “o [próximo] leilão não será anulado”.

Informações de fontes a par do processo afirmam que o novo edital terminou de ser elaborado na sexta (21) com o auxílio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Advocacia-Geral da União (AGU), e será encaminhado ao Ministério da Agricultura para análise. A expectativa, se mantido, é de que o leilão seja realizado em até 20 dias.

No entanto, entidades do setor teriam se comprometido com o governo para fazer um levantamento que aponte que o arroz já colhido pode ser escoado sem afetar o preço – principal motivo que fez Lula determinar o leilão para a compra do grão importado para fazer uma espécie de “estoque regulador”.

A situação do leilão gerou reações do setor do agronegócio, da área técnica da Conab e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defendem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o ocorrido.



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