Na luta pela autonomia farmacêutica em recursos


“Aprendemos aqui na empresa que a inovação também se faz nas pequenas coisas, estimulando-se a criatividade e a busca de possibilidades além do lugar-comum”, celebra Claro Junior

A substância com o efeito de tratar ou prevenir uma doença em um medicamento é o chamado princípio ativo. No jargão técnico, os princípios ativos são conhecidos como insumos farmacêuticos ativos, ou simplesmente IFAs. No Brasil, há muitas indústrias farmacêuticas capazes de produzir os medicamentos dos quais a população brasileira necessita, porém são poucas as que fabricam no Brasil os IFAs, que são justamente os componentes mais importantes de uma formulação. Atualmente, entre 90% e 95% de todos os IFAs usados no Brasil para a fabricação de medicamentos são importados, uma situação vista como negativa pela indústria, já que depender da importação do IFA pode levar à falta de medicamentos para a população. Atenta a isso e identificando um risco de falta de fornecimento do princípio ativo Cabergolina, importado para a fabricação do seu medicamento genérico Cabergolina comprimido de 0,5 mg, em 2022 a Prati-Donaduzzi investiu em um laboratório de pesquisa e em uma fábrica em Toledo, no Paraná, 100% dedicados ao desenvolvimento e produção de IFAs. Assim, busca reduzir esta vulnerabilidade e contribuir para que o Brasil possa reverter esta situação de dependência. Pela ideia inovadora e os benefícios que trará à população, a iniciativa da paranaense foi selecionada como case de excelência da edição 2023 de Campeãs da Inovação.

Para que o IFA Cabergolina fabricado pela empresa possa ser utilizado na produção de lotes comerciais de seu medicamento genérico, há a necessidade de se cumprir alguns ritos regulatórios no âmbito da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esses processos regulatórios já estão em andamento, e a empresa aguarda a manifestação da agência, o que deve ocorrer ainda em 2023. Fernando Onosaki, sócio-diretor do IXL-Center, destaca que o desenvolvimento de tecnologia para a fabricação de novos produtos é um dos carros-chefe do setor farmacêutico. “Além da inovação tecnológica, é importante salientar a disrupção de negócios que ela traz ao mercado brasileiro, que reduz a dependência do IFA produzido no exterior, assim promovendo o acesso a tratamentos para a saúde e bem-estar da população. Esse movimento de reavaliação e redesenho da cadeia de suprimentos e fornecedores provocada pelo período de pandemia é algo que também vem acontecendo com outros setores da indústria”, nota.

Um marco para a indústria farmacêutica brasileira
Para Nelson Ferreira Claro Junior, diretor de farmoquímicos da Specialità – companhia que a farmacêutica paranaense criou especialmente para a produção do IFA –, a relevância dessa inovação para o Brasil está no aumento da capacitação tecnológica e da massa crítica de profissionais com expertise na fabricação de IFAs no país, atividade industrial na qual o país demonstrou ser altamente dependente do exterior durante a pandemia de Covid-19 e que, segundo ele, precisa ser fortalecida como área estratégica na promoção da saúde dos brasileiros. “O setor de química fina [no Brasil] tem déficit de cultura e de massa crítica especializada neste negócio. Os mestres e doutores em síntese orgânica egressos das universidades detêm o conhecimento teórico das reações e processos químicos, mas falta o conhecimento prático e regulatório na aplicação deste conhecimento na geração de produtos”, contextualiza. “Com essa inovação, a empresa teve a oportunidade de amadurecer seus processos de desenvolvimento de IFAs genéricos, treinar mão de obra especializada com foco nos requisitos do negócio e consolidar sua plataforma tecnológica recentemente instalada para a produção de princípios ativos por síntese química em território nacional”, completa.

A aposta da Prati-Donaduzzi reflete que a inovação está em seu DNA, e é um dos legados dos seus sócios-fundadores. “Aprendemos aqui na empresa que a inovação também se faz nas pequenas coisas, estimulando-se a criatividade e a busca de possibilidades além do lugar-comum. Temos orgulho também de sermos uma empresa de capital 100% nacional, que emprega brasileiros e brasileiras do Paraná e de vários outros estados, e que cresceu pelo esforço, dedicação e paixão da nossa gente em prover saúde e bem-estar às pessoas”, celebra Claro Junior. Desde 1999, a partir da lei dos medicamentos genéricos no Brasil, a empresa vem contribuindo com o país ao oportunizar o acesso da população a produtos farmacêuticos de alta qualidade e confiabilidade. E agora, com esta iniciativa inovadora de internalização do desenvolvimento e da produção de IFAs, ajuda a absorver profissionais especializados, formando massa crítica e adquirindo competências em uma área estratégica para o complexo econômico e industrial da saúde.

Esse conteúdo integra a edição 344 da revista AMANHÃ, publicação do Grupo AMANHÃ. Clique aqui para acessar a publicação online, mediante pequeno cadastro.



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