Petrobras avalia investir na Venezuela após suspensão das sanções dos EUA



O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, disse nesta quinta (19) que considera “seriamente” investir na indústria de petróleo da Venezuela após os Estados Unidos suspenderem sanções contra o país por seis meses. A estatal já teve negócios no país vizinho no passado, como sócio na PDVSA em projetos de exploração e na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, alvo de investigações da operação Lava Jato.

“Vamos colocar a Venezuela no mapa de novo. A [suspensão] das sanções nos inspiram a pensar em seriamente considerar investimentos na Venezuela. E, absolutamente, pelo amor de Deus, não tem nada a ver com questões ideológicas ou políticas que possa haver entre os países, entre os dirigentes, etc”, disse em entrevista à Agência Epbr.

Esse investimento se justifica, diz, pela Venezuela
ser “a maior reserva de petróleo do mundo, maior que a da Arábia Saudita”. “Às
vezes as pessoas ou não sabem ou até esquecem disso, e eles estão muito necessitados
de investimentos lá”, completou.

Prates avalia que a suspensão das sanções pelos EUA é uma decisão estratégica mirando a futura escassez de petróleo no mundo. Para ele, o país está “olhando 30 anos à frente, não estão olhando agora”. “A Venezuela é um dos países que têm condições de produzir as últimas gotas de petróleo do mundo. Se atrasar esse processo, vai perder o trem da história”, justifica a intenção de investir no país.

Ele afirmou, ainda, que a possibilidade de
investimento na Venezuela está apenas no início e que a estatal não analisou as
possibilidades. O executivo afirmou, no entanto, que esta é uma demanda que vai
chegar.

“Até porque o presidente Lula tem um papel
importante de liderança na América Latina, é esperado dele. Vai chegar para ele
essa demanda, se é que já não chegou, de ‘olha, o que que a gente América
Latina pode fazer com isso’”, afirmou.

Segundo Jean Paul Prates, a Petrobras também vê a possibilidade de investir em outros países sul-americanos com “recursos energéticos importantes”, como Bolívia, Argentina e Colômbia.

“Nós precisamos organizar isso aqui. Nós seremos
protagonistas importantes. Nós Brasil e dentro do Brasil, a Petrobras será
protagonista nas discussões. E aí vamos tomar as decisões. Você perguntou
‘influencia os planos?’ Certamente vai influenciar”, completou.

Ainda durante a entrevista, Prates afirmou que a Petrobras já vinha sinalizando interesse em investir na Venezuela, em especial após a petroleira norte-americana Chevron retomar ações no país mesmo em meio às sanções dos EUA.



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