principais preocupações econômicas após ataque a Israel



Os próximos passos do acirramento do conflito no Oriente Médio serão decisivos para o impacto sobre o cenário econômico mundial.

Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo destacam, em um primeiro momento, a catástrofe humanitária detonada pelos ataques realizados pelo grupo terrorista Hamas a Israel, no sábado (7), e a consequente reação do país.

A avaliação é de que o embate ocorre em meio a um cenário desfavorável para a economia mundial. Há pressões inflacionárias em algumas das principais economias globais, como Estados Unidos, Reino Unido e Zona do Euro, o que está exigindo a manutenção das taxas de juros em patamares elevados.

“O temor de mais alta nos preços preocupa”, diz o sócio e
especialista em renda variável da Davos Investimentos, Marcelo Boragini.

Duas questões a serem avaliadas, de acordo com os
especialistas, são a duração do conflito e se ele vai se espalhar pelo Oriente
Médio. “Se ficar restrito à região, é uma coisa. Se envolver outros países,
como o Irã, a situação muda por completo e fica mais perigosa e complexa para o
mundo”, complementa o estrategista-chefe da corretora Avenue, William Castro Alves.

Petróleo é a principal fonte de preocupação no momento

Uma das maiores preocupações no momento é em relação ao preço do petróleo. A expansão do conflito pode levá-lo a um patamar próximo a US$ 100. Às 16 horas desta segunda, o barril do tipo Brent era negociado a US$ 88,17, alta de 4,24% em relação ao pregão anterior.

Este cenário inclui uma eventual participação do Irã no conflito. O país é um tradicional aliado e financiador do Hamas, que busca a destruição de Israel, e um importante produtor de petróleo.

Segundo o jornal norte-americano “Wall Street Journal”, o Irã teria ajudado no planejamento da operação terrorista e dado a autorização ao ataque em um encontro em Beirute, capital do Líbano, na sexta (6).

A escalada no conflito pode levar a sanções e menos oferta de petróleo no mundo, que já é afetada pelo embargo parcial à Rússia e pelos problemas enfrentados pela Venezuela, que é detentora de uma das maiores reservas mundiais, mas tem dificuldades para aumentar sua produção. A guerra entre Hamas e Israel também coincide com os 50 anos da crise do petróleo de 1973.

“Estamos falando de uma região que tradicionalmente tem um perfil bélico e, para agravar, tem o estreito de Ormuz, que separa os Emirados Árabes do Irã, por onde passa um quinto do petróleo global. Se a situação piorar, podemos ter um grande estresse no mercado do petróleo, com implicações sobre a economia global”, diz o economista-chefe da Órama, Alexandre Espírito Santo.

Outra questão importante será o posicionamento dos países árabes em relação ao conflito. Israel vinha em um momento de aproximação com esse grupo, estabelecendo relações diplomáticas com Bahrein e Emirados Árabes Unidos. Negociações para melhorar as relações com a Arábia Saudita estavam em curso.

Mais incertezas para a economia brasileira

A questão geopolítica internacional acrescenta mais incertezas em relação à economia brasileira. Apesar da expectativa de crescimento próximo a 3% e de uma inflação em torno de 5% em 2023, há muitas preocupações com o cumprimento das metas fiscais para 2024.

Um dos eventuais impactos para o Brasil com um acirramento
da crise, segundo o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, seria uma
redução no fluxo de capitais para o Brasil.

“Em momentos de estresse, como este, há uma fuga dos investidores em direção a ativos mais confiáveis, como o ouro e os títulos do Tesouro americano”, diz. Uma eventual fuga de capitais jogaria para cima a cotação do dólar, com o provável efeito de aumentar a inflação por aqui.

Outro agravante, de acordo com Castro Alves, da Avenue, é que uma alta mais forte do petróleo tende a tirar tração da economia mundial – o que afetaria, por exemplo, as vendas de commodities.

“Isso é ruim para países produtores, como o Brasil”, diz. Um menor crescimento da economia mundial faz com que a demanda de insumos básicos e matérias-primas seja menor.

A reação do governo brasileiro

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda que o governo não vai tomar medidas imediatas com relação a uma escalda do preço do petróleo no mercado internacional. “A pior coisa que pode acontecer é você tomar decisões precipitadas que podem colocar em risco uma política. Vamos ver como é que ele [o conflito] se desdobra.”

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou que a estatal vai usar “fatores brasileiros” para manter os preços dos combustíveis “mais ou menos estáveis”. As declarações foram dadas durante encontro da Câmara de Comércio Noruega-Brasil, no Rio de Janeiro.



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