Testa ungida com sangue e cabeça enfiada em carcaça de animal: Harry relembra rituais de caça – Notícias



O livro de memórias do príncipe Harry, Spare (O que sobra, em português), foi lançado em janeiro, mas as histórias contadas pelo duque de Sussex continuam surpreendendo os leitores. Em uma das passagens da obra, o filho mais novo de Charles 3º conta sobre a primeira vez que caçou um animal. 


“Quando matei algo pela primeira vez, Tiggy disse: Muito bem, querido!”, escreve ele. 


Após o acontecimento, o príncipe narra como a babá que cuidava dele e de William na época, Tiggy Legge-Bourke, realizou um batismo de sangue, algo considerado uma tradição ancestral na monarquia britânica. 


“Ela mergulhou os dedos esguios no cadáver do coelho, sob a prega de pele despedaçada, lambuzou-os de sangue e ungiu ternamente minha testa, minhas bochechas e meu nariz. ‘Agora’, disse, com sua voz rouca, ‘você foi iniciado’”, conta o duque de Sussex. 



Além de ser considerada uma demonstração de respeito pela criatura morta e um ato de comunhão por parte de quem mata, o batismo de sangue é “um modo de marcar a passagem da infância para a… Não a vida adulta. Não, nada disso. Mas algo perto disso”, explica. 


No entanto, perto de completar 15 anos, o irmão de William foi informado de que teria de passar pela verdadeira iniciação do caçador: o veado-vermelho.


A caçada aconteceu em uma manhã, próximo ao castelo de Balmoral. Harry foi acompanhado de um guia, Sandy. 


“Aproximando-nos mais, cada vez mais, finalmente paramos e observamos o veado mascar a relva seca. Sandy acenou para mim, para minha arma. Era hora”, conta o príncipe. “Pude escutar sua respiração ruidosa conforme eu fazia a mira lentamente e apertava o gatilho. Houve um estalo penetrante, reverberante.”



Ao chegar até o animal, Harry diz ter ficado aliviado, pois sempre existia a preocupação de causar apenas um ferimento. Após os olhos do animal ficarem cada vez mais opacos, Sandy se ajoelhou diante dele, sacou uma faca reluzente, lhe abriu a barriga e gesticulou para que o duque de Sussex fizesse o mesmo.


“Ajoelhei. Pensei que fôssemos rezar. Sandy exclamou rispidamente: Mais perto! Avancei de joelhos, perto o suficiente para sentir o cheiro das axilas de Sandy. Ele pôs a mão delicadamente na minha nuca, e então achei que fosse me abraçar, me parabenizar. Bom menino. Em vez disso, empurrou minha cabeça dentro da carcaça”, diz Harry. 


Apesar de tentar se desvencilhar, Sandy empurrou o príncipe mais fundo.


“Fiquei chocado com sua força insana. E com o cheiro infernal. Meu café da manhã começou a voltar. Ai, por favor, ai, por favor, não permita que eu vomite dentro de uma carcaça de veado”, relembra. “Depois de um minuto eu não conseguia sentir o cheiro de nada, porque não podia respirar. Meu nariz e minha boca se encheram de sangue, entranhas e um calor profundo, perturbador. Bom, pensei, então a morte é assim.”


Foi então que Sandy o puxou e, após respirar novamente, o filho de Charles 3º começou a limpar o rosto, que pingava sangue, mas o guia segurou a mão dele e disse: Nae, jovem, nae. Deixa secar, jovem! Deixa secar!”


Em seguida, o príncipe e Sandy puseram “mãos à obra” e estriparam o animal, removeram o estômago, espalharam os miúdos pela encosta para os falcões, extraíram o fígado e o coração, cortaram o pênis e tomaram o cuidado de não romper o cordão para não ficarem encharcados de urina.


“Conforme meu rosto secava e minha barriga sossegava, eu inchava de orgulho. Agira bem com o grande cervo, como me fora ensinado. Um tiro isolado, bem no coração. Além de indolor, a morte instantânea preservara a carne”, comenta Harry. “Aquele sangue no meu rosto não continha adrenalina alguma, para crédito da minha mira.”


O príncipe também reforça que, na época, agira bem com a natureza — pois reduzir a quantidade de veados significava salvar a população como um todo e assegurar que tivessem alimento suficiente durante o inverno — e com a comunidade. Isso porque um grande veado na despensa significava fartura de comida para as pessoas que viviam nos arredores de Balmoral. 


“Essas virtudes haviam sido instiladas em mim desde a tenra infância, mas agora eu as vivenciava, e as sentia na cara. Eu não era religioso, mas esse ‘tratamento facial’ sangrento foi para mim como um batismo”, encerra o príncipe. 


*Estagiária do R7, sob supervisão de Fabíola Glenia










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