Tratamentos imunológicos na reprodução assistida fazem a diferença?


Para algumas mulheres com problemas de fertilidade, durante o tratamento nenhuma causa subjacente é encontrada. Devido a essa incapacidade de explicar por que uma gravidez bem-sucedida não acontece, uma teoria amplamente compartilhada é que a causa pode ser o sistema imunológico da paciente. Os órgãos transplantados de um indivíduo diferente, por exemplo, são rejeitados pelo sistema imunológico do receptor, a menos que drogas poderosas sejam tomadas para suprimir essa rejeição imunológica.

O bebê é um indivíduo diferente do paciente, pois metade de seus genes são herdados do pai biológico. Pensava-se que o sistema imunológico de algumas pacientes poderia “rejeitar” o feto, a menos que também fosse alterado e suprimido durante a gravidez. No entanto, estudos mostraram que a rejeição imunológica do feto raramente, ou nunca, acontece. E a supressão do sistema imunológico de uma paciente grávida também expõe a paciente e o bebê a riscos consideráveis, incluindo infecções com risco de vida.

“Apesar de não ser consenso, e alvos de muita crítica, muitos tratamentos imunológicos vêm sendo propostos para aumentar as taxas de implantação e diminuir o risco de aborto. Os estudos são limitados, mas demonstram algum benefício. Assim, apesar de não ser indicado como rotina nos tratamentos de reprodução assistida, podem ser uma opção em casos de falhas de implantação e aborto recorrente”, afirma Arnaldo Cambiaghi, especialista em ginecologia e obstetrícia com certificado de atuação na área de reprodução assistida e responsável técnico do Centro de Reprodução Humana do IPGO.

Tratamentos imunológicos disponíveis no Brasil

Alguns tratamentos imunológicos estão disponíveis no Brasil e são indicados de maneira individualizada a cada paciente, pois o uso de imunossupressores precisa ser avaliado com muita cautela. Confira alguns deles:

AAS (Aspirina): anti-inflamatório com a função de inibir a agregação plaquetária, tendo, assim, um efeito antitrombótico.

Heparina: vem sendo usada em pacientes com aborto de repetição e trombofilias. Entretanto, mesmo na ausência de trombofilias, alguns autores recomendam seu uso em casos de aborto de repetição e falhas de implantação.

Corticoides: são drogas imunossupressoras, ou seja, que diminuem a resposta inflamatória do sistema imune e a atividade das células NK, podendo diminuir a chance de aborto. “Uma opção muito comum é a prednisona, por ser via oral e de baixo custo. Vem sendo muito utilizada em casos de abortos prévios e aumento de atividade das células NK, embora seu benefício seja algo ainda controverso”, enfatiza Cambiaghi.

Imunoglobulina: medicação intravenosa já usada há muito tempo para tratar doenças autoimunes e condições inflamatórias não relacionadas à gravidez.

Lipofundin: é uma emulsão de lipídeos usada normalmente para nutrição parenteral de pacientes. Seu uso em reprodução se deve ao fato de se acreditar que tem ação semelhante à imunoglobulina.

G-CSF (Granulocyte-colony stimulating factor ou Fator estimulante de colônia de granulócitos): é um fator de crescimento que tem efeito específico na ativação de vias intracelulares associadas à proliferação celular, diferenciação e estimulação de granulócitos (um tipo de glóbulo branco no organismo). “Para uso em reprodução, normalmente utiliza-se aplicações subcutâneas repetidas. Há poucos estudos publicados com seu uso, mas há alguma evidência de benefício”, diz o médico.

Anti-TNF Adalimumab (Humira): medicamento utilizado em algumas doenças inflamatórias como artrite reumatoide, cuja ação é bloquear o TNF-alfa, citocina relacionada à resposta imune Th1.

Tacrolimus: medicamento imunossupressor que inibe a resposta citotóxica dos linfócitos, a expressão de receptores IL-2 e a produção de IL-2 e Interferon gama, citocinas ligadas à via Th1. Dessa forma, assim como o medicamento anterior, foi sugerido que pudesse ter benefício em falhas de implantação/abortos recorrentes de causa imunológica.

Sirolimo (Rapamune): medicamento imunossupressor utilizado em transplantes para evitar rejeição. Seu mecanismo de ação é inibir a ativação e a proliferação de linfócitos T que ocorrem em resposta ao estímulo de antígenos e de citocinas.Cambiaghi enfatiza que, como os tratamentos são personalizados, as necessidades de uma paciente são diferentes das de outra, portanto o acompanhamento de um médico é imprescindível. Além disso, a automedicação é totalmente contraindicada e arriscada.

Foto Destaque: Reprodução





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