Trauma do ataque terrorista do Hamas perdurará por gerações, afirma escritora israelense – Notícias

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A escritora israelense Zeruya Shalev afirma estar “paralisada” desde o ataque do grupo terrorista palestino Hamas, cujo trauma “perdurará por gerações”, ainda que diga ter fé no “espírito de solidariedade da sociedade israelense”.


“Não posso continuar com [o] livro [que estou escrevendo] como se não tivesse ocorrido nada”, comenta a autora de 64 anos à AFP. “Então utilizo minhas palavras para escrever sobre as vítimas” nos jornais, diz.



O ataque do Hamas de 7 de outubro em Israel deixou cerca de 1.140 mortos, segundo as autoridades israelenses.


Naquele dia, terroristas do Hamas se infiltraram nas localidades do sul de Israel, incluindo vários kibutzim (comunidades agrícolas), invadindo e incendiando casas e assassinando os moradores.


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Os terroristas também sequestraram cerca de 250 pessoas como reféns, das quais 135 seguem retidas em Gaza, segundo o último balanço.


Em resposta, Israel prometeu “aniquilar” o Hamas e lançou uma ofensiva aérea e terrestre na Faixa de Gaza.



A intervenção israelense matou cerca de 20 mil pessoas, segundo o governo do Hamas. Para Shalev, “a morte de inocentes, de mulheres e crianças em Gaza é devastadora”.


‘Tão perto’


“Compartilho a ira e a dor”, afirma a romancista, de longos cabelos castanhos. Antes do conflito, ela havia se mobilizado contra as reformas judiciais do governo israelense.


“Mas é difícil cogitar outras opções” se o Hamas continuar “lançando foguetes contra Israel, por diversas vezes […], utilizando a população palestina como escudo humano”.


Zeruya Shalev, que nasceu em um kibutz, ficou imobilizada durante meses, em 2004, após ter sido ferida em um atentado suicida cometido por um palestino contra um ônibus em Jerusalém Oriental, um ato reivindicado pelo Hamas.


“Ver esses assassinos caminhando” pelas ruas dessas comunidades, os kibutzim, que “simbolizam uma sociedade melhor, igualitária” e que ficaram “manchadas de sangue” lhe “destruiu o coração”, conta.


Seus avós, chegados da Europa em 1912, construíram um dos primeiros kibutzim, comunidades agrícolas baseadas no coletivismo.


No entanto, ela não quer “ignorar” as imagens insustentáveis” dos crimes cometidos pelo Hamas, que provocou um trauma que “perdurará por gerações”, assegura, fazendo referência ao ataque de 7 de outubro.


É “como se recebêssemos imagens de Auschwitz, do Holocausto”. E ocorreu “tão perto, e agora”, indica, dizendo-se “impactada pelo silêncio das organizações de mulheres que militam contra a violência sexual”.


No início de dezembro, juristas e ativistas israelenses acusaram organizações internacionais de defesa dos direitos da mulher de ficarem em silêncio ante as denúncias de estupros cometidos por terroristas do Hamas em 7 de outubro.


Além do massacre, a polícia israelense investiga supostos crimes sexuais, incluindo estupros em grupo e mutilações de cadáveres, por meio de milhares de depoimentos de testemunhas, patologistas e médicos.


‘Decepcionada’


Frente a algumas reações provocadas pelos bombardeios israelenses, que o Yad Vashem — a instituição israelense constituída em memória das vítimas do Holocausto — tachou de antissemitas, Zeruya Shalev expressou sua “grande solidão” e sua “forte preocupação”.


“Vejo isso como uma total falta de responsabilidade”, afirma. “Ver estudantes liberais apoiando o Hamas é tão absurdo. O Hamas mata pessoas LGBT+ e trata as mulheres de uma forma terrível”, acrescenta.


Além disso, uma das “inúmeras causas” da guerra atual reside, segundo ela, “no fato de que não há mulheres suficientes no poder, nem em Israel” nem no lado palestino.


Hoje, ela celebra que se reconheça a “coragem” das mulheres no Exército, ainda que se diga “decepcionada”, porque a “luta” que travaram com outras pessoas para “incluir mais mulheres nas altas esferas de decisão relativas à paz e à guerra” tenha “fracassado”.


Apesar de tudo, mantém contato com o movimento Women Wage Peace, fundado em 2014 para dar às mulheres de diversas comunidades os meios necessários para empoderá-las e combater as desigualdades.


Segundo ela, a “separação entre judeus e árabes” não “parece pertinente” e a autora se declara “contra os extremistas, mesmo que sejam judeus”.


Precisamente, a escritora vê na “solidariedade com os árabes israelenses” em Haifa, a cidade mista do norte de Israel onde vive, um raio de esperança. “Existe uma solidariedade muito bonita”, diz. “Sinto que estamos juntos” e “isso me dá força”, conclui.


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