Uso indevido de tintas faciais e glitter pode causar desde dermatite de contato à vermelhidão – Notícias



As fantasias caricatas, pinturas faciais e o excesso de glitter são uma marca registrada do Carnaval. Essas tradições não devem ser abandonadas, mas exigem um cuidado especial, principalmente quando envolvem a região do rosto.


A face, por si só, é uma área delicada. Porém, produtos, como tintas faciais, podem desencadear um quadro chamado dermatite de contato – ou eczema de contato, como também é conhecido.


“Essa dermatite é uma reação inflamatória na pele decorrente da exposição a um agente capaz de causar irritação ou alergia”, diz Brianna Nicolletti, alergista e imunologista do Hospital Albert Einstein.



A dermatite de contato irritativa é causada por substâncias ácidas ou alcalinas, e por componentes que provocam diretamente a pele. A reação pode aparecer logo no primeiro uso do produto e fica restrita ao local de contato.


Já o quadro alérgico, se dá, geralmente, após algumas exposições a um produto ou substância.


“A reação na pele pode não ser imediata e aparecer, por exemplo, no dia seguinte, pois o mecanismo imunológico da dermatite de contato é celular, que chamamos de tardio. Depende de uma ‘sensibilização’. Mas a partir do entendimento, pelo nosso sistema imune, de que algo é ‘alérgico’, ele gera (como tentativa de defesa) uma reação inflamatória ao contato, e a continuidade deste contato pode levar a reações bem importantes”, complementa Brianna.


Os principais sintomas da condição são coceira, vermelhidão, descamação e alteração na superfície da pele.


“Reações tipo urticárias (lesões edematosas e que coçam bastante) também podem aparecer”, complementa Viviane Scarpa, dermatologista da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).


De acordo com Brianna, as tintas faciais também podem causar manchas vermelhas, prurido (coceira) e, em alguns casos, vesículas (bolhas de água) no local do contato com a substância irritante ou alergênica.


Porém, essas reações não costumam ser imediatas. Isso significa que elas podem aparecer depois de alguns dias. O ideal é estar atento a qualquer anormalidade, especialmente em áreas de pele fina (mais sensíveis), como pálpebras, pescoço e dedos.


“Em situações de grande reação podem ocorrer lesões de queimaduras, até de 2º grau”, alega a alergista.



Caso seja sabidamente alérgico a algum componente da fórmula da tinta ou tenha alguma lesão de pele na região – espinhas, arranhões ou dermatites, por exemplo –, não aplique o produto.


“Pacientes que têm risco maior de desenvolver alergias, como pacientes com dermatite atópica, rosácea ou com pele sensível, também devem evitar o uso de maquiagens faciais”, acrescenta Viviane.


Além do mais, é essencial manter sempre a pele hidratada, com cremes e óleos, por exemplo, para receber o produto com mais segurança.


“O uso de hidratantes faciais e filtro solar previamente evita o contato direto da tintura na face. A aplicação deve ser feita em locais arejados, com boa ventilação e os pincéis devem estar limpos”, orienta a dermatologista.


Como todo cuidado é pouco, caso sinta uma irritação na pele, lave o rosto com água em abundância. Evite a exposição solar e recorra, se necessário, a antialérgicos orais, pomadas ou cremes de corticoides. O atendimento médico especializado – dermatologista ou alergista – também é essencial.


“A prevenção começa na escolha do produto. Aplique produtos de boa procedência, que sejam para uso específico facial e que tenham registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”, aponta Viviane.


E acrescenta: “Atenção: tinta guache, apesar de atóxica e hipoalergênica, é para ser usada em papel e não na pele. Seu uso na pele pode causar alergia a até mesmo queimaduras.”


Glitter


O glitter é um componente básico, mas essencial nas maquiagens de Carnaval. Porém, assim como os demais produtos, deve ser usado com cautela e não pode entrar em contato direto com o olho.


“O mais comum é que o atrito [com o olho] cause irritação, sensação de areia nos olhos e olhos vermelhos. Eventualmente pode ocorrer uma infecção ou um embaçamento visual”, alerta Hallim Feres Neto, oftalmologista membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e diretor da Prisma Visão.


Segundo Neto, dada a sensibilidade da região, é incomum que o indivíduo consiga ficar muito tempo com glitter dentro dos olhos sem procurar ajuda. Isso impede que o quadro se torne mais grave.


Caso ocorra um dos sintomas citados acima, a ação deve ser imediata. “Lave bastante os olhos com água corrente, ou pingue bastante colírio lubrificante ou soro fisiológico”, diz o oftalmologista.


É extremamente importante lembrar de não esfregar os olhos. “Se tem pó de glitter entre a pálpebra e o olho, cada vez que a pessoa esfrega a mão no olho está, na verdade, esfregando ainda mais o glitter no olho, machucando cada vez mais”, alerta Neto.


Para prevenir essa situação, utilize apenas glitter para pintura facial ou, na região dos olhos, o produto específico para maquiagem.


“Lembre sempre de tomar o cuidado de lavar as mãos depois de manipular o glitter. E sem brincadeiras sem graça de assoprar o pó de glitter em alguém”, finaliza o oftalmologista.


Caso escolha complementar o glitter com pedrarias, Brianna recomenda que, em torno de dois dias antes da festividade, seja realizado um teste com a cola, por exemplo, colocando duas pedrinhas na região. Se não apresentar alergia ou irritação, o uso está liberado.


*Estagiária do R7, sob supervisão de Giovanna Borielo 


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