Terras raras: lista completa, aplicações e preços em 2027

As terras raras estão entre os recursos minerais mais estratégicos do mundo. Esses elementos químicos são utilizados na fabricação de carros elétricos, celulares, turbinas eólicas, equipamentos médicos, computadores e diversas tecnologias que fazem parte do nosso cotidiano.

Apesar do nome, as terras raras não são necessariamente escassas na natureza. O principal desafio está na concentração dos depósitos minerais, na separação dos elementos e no processamento necessário para transformá-los em materiais utilizados pela indústria.

O interesse pelas terras raras cresceu nos últimos anos devido à expansão dos veículos elétricos, das energias renováveis, da inteligência artificial e das tecnologias de defesa. Países como China, Estados Unidos, Austrália e Brasil passaram a dedicar mais atenção à produção e ao abastecimento desses minerais estratégicos.

Mas afinal, quais são as 17 terras raras, para que servem e quanto custam em 2027?

Neste artigo, você vai conhecer a lista completa dos elementos de terras raras, suas principais aplicações, os fatores que influenciam os preços e o papel do Brasil nesse mercado.

O que são terras raras e por que são tão importantes?

Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos que apresentam propriedades físicas e químicas importantes para a indústria moderna.

Esse grupo é formado pelos 15 elementos da série dos lantanídeos, além do escândio e do ítrio, que possuem características químicas semelhantes.

Embora sejam chamados de terras raras, alguns desses elementos são relativamente abundantes na crosta terrestre. O cério, por exemplo, é mais abundante do que diversos metais conhecidos.

A dificuldade está em encontrar depósitos economicamente viáveis e desenvolver processos capazes de separar os elementos com eficiência.

Na natureza, eles geralmente aparecem associados a minerais como monazita, bastnasita e xenotima, além de determinados depósitos de argilas iônicas.

Após a extração, o material precisa passar por etapas de beneficiamento, separação química e refino.

Esses processos podem exigir investimentos elevados, conhecimento tecnológico e cuidados ambientais.

A importância econômica das terras raras está relacionada às suas propriedades magnéticas, ópticas, elétricas e catalíticas.

Elas são utilizadas em diferentes setores, como:

  • Indústria automobilística e veículos elétricos
  • Fabricação de turbinas eólicas
  • Equipamentos eletrônicos e smartphones
  • Produção de ímãs permanentes
  • Sistemas de iluminação e lasers
  • Equipamentos médicos
  • Indústria aeroespacial
  • Tecnologias militares
  • Catalisadores industriais
  • Produção de vidros e cerâmicas especiais

O crescimento dessas atividades aumenta a importância de garantir cadeias de fornecimento confiáveis.

Lista completa das 17 terras raras e suas aplicações

A lista de terras raras é composta por 17 elementos químicos. Cada um apresenta propriedades específicas e pode ser utilizado em diferentes processos industriais.

Confira a tabela completa:

Elemento Símbolo Número atômico Principais aplicações
Escândio Sc 21 Ligas de alumínio, aplicações aeroespaciais e iluminação
Ítrio Y 39 Cerâmicas, lasers, fósforos e materiais especiais
Lantânio La 57 Catalisadores, baterias e vidros ópticos
Cério Ce 58 Catalisadores, polimento de vidro e cerâmicas
Praseodímio Pr 59 Ímãs permanentes, ligas metálicas e pigmentos
Neodímio Nd 60 Ímãs de alto desempenho, motores elétricos e geradores
Promécio Pm 61 Aplicações nucleares e fontes especiais de energia
Samário Sm 62 Ímãs resistentes a altas temperaturas e aplicações nucleares
Európio Eu 63 Fósforos para telas, iluminação e dispositivos de segurança
Gadolínio Gd 64 Agentes de contraste para ressonância magnética e materiais magnéticos
Térbio Tb 65 Fósforos, ímãs especiais e dispositivos eletrônicos
Disprósio Dy 66 Ímãs resistentes a temperaturas elevadas
Hólmio Ho 67 Lasers, equipamentos médicos e aplicações magnéticas
Érbio Er 68 Amplificadores de fibra óptica e lasers
Túlio Tm 69 Lasers médicos e fontes de radiação
Itérbio Yb 70 Lasers industriais, fibras ópticas e pesquisas científicas
Lutécio Lu 71 Detectores, medicina nuclear e catalisadores

Entre os 17 elementos, alguns possuem maior relevância comercial devido à demanda por tecnologias específicas.

O neodímio e o praseodímio, por exemplo, são fundamentais na fabricação de determinados ímãs permanentes de alto desempenho.

Já o disprósio e o térbio podem ser adicionados a esses materiais para melhorar sua resistência à desmagnetização em temperaturas elevadas.

O promécio apresenta uma característica diferente: todos os seus isótopos são radioativos. Por isso, não possui um mercado comercial comparável ao dos principais elementos extraídos de depósitos minerais.

Quais são as terras raras mais valiosas do mundo?

Nem todas as terras raras possuem o mesmo valor comercial.

O preço depende principalmente da oferta, da demanda industrial, da dificuldade de separação e do grau de pureza exigido.

Alguns elementos são produzidos em quantidades relativamente maiores, enquanto outros apresentam disponibilidade comercial limitada.

Entre as terras raras que frequentemente recebem maior atenção econômica estão o disprósio, o térbio, o neodímio e o praseodímio.

Neodímio e praseodímio

O neodímio e o praseodímio estão entre os elementos mais importantes para a fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho.

Esses ímãs são utilizados em motores elétricos, equipamentos industriais, turbinas eólicas e diferentes dispositivos eletrônicos.

Na indústria, é comum encontrar referências ao NdPr, uma combinação comercial de neodímio e praseodímio.

O crescimento da eletrificação pode influenciar a demanda por esses materiais, embora nem todos os veículos elétricos utilizem motores com ímãs de terras raras.

Disprósio e térbio

O disprósio e o térbio possuem aplicações importantes na produção de ímãs que precisam manter seu desempenho em condições de temperatura elevada.

Esses elementos são utilizados em determinadas tecnologias automotivas, industriais e aeroespaciais.

A disponibilidade limitada de algumas fontes de fornecimento e a complexidade do processamento podem contribuir para preços elevados.

Lutécio e escândio

O lutécio possui aplicações especializadas, incluindo detectores utilizados em equipamentos médicos e determinados procedimentos de medicina nuclear.

O escândio é empregado em algumas ligas metálicas de alto desempenho e em aplicações tecnológicas específicas.

Embora possam apresentar preços unitários elevados, seus mercados são menores e menos líquidos do que os dos principais materiais utilizados na fabricação de ímãs.

Por isso, comparar o valor comercial desses elementos exige considerar a forma química, a pureza e a quantidade negociada.

Preços das terras raras em 2027: quanto custa cada elemento?

Os preços das terras raras em 2027 ainda não podem ser apresentados como valores definitivos, pois 2027 é um período futuro.

Além disso, não existe uma cotação internacional única para todas as terras raras, como acontece com algumas commodities negociadas em bolsas.

Grande parte das transações ocorre por contratos comerciais, negociações entre empresas e mercados especializados.

Os preços podem variar conforme o país, a pureza, a forma química e o volume adquirido.

Um óxido de neodímio, por exemplo, não possui necessariamente o mesmo preço por quilograma que o neodímio metálico.

A tabela abaixo apresenta a situação de cada elemento para 2027, sem atribuir cotações futuras que ainda não foram confirmadas.

Terra rara Forma comercial de referência Preço em 2027
Escândio Óxido de escândio A confirmar
Ítrio Óxido de ítrio A confirmar
Lantânio Óxido de lantânio A confirmar
Cério Óxido de cério A confirmar
Praseodímio Óxido de praseodímio A confirmar
Neodímio Óxido de neodímio A confirmar
Promécio Isótopos radioativos Sem cotação comercial convencional
Samário Óxido de samário A confirmar
Európio Óxido de európio A confirmar
Gadolínio Óxido de gadolínio A confirmar
Térbio Óxido de térbio A confirmar
Disprósio Óxido de disprósio A confirmar
Hólmio Óxido de hólmio A confirmar
Érbio Óxido de érbio A confirmar
Túlio Óxido de túlio A confirmar
Itérbio Óxido de itérbio A confirmar
Lutécio Óxido de lutécio A confirmar

Para acompanhar os valores ao longo de 2027, será necessário consultar cotações atualizadas e verificar as especificações de cada produto.

O que pode influenciar os preços das terras raras em 2027?

Diversos fatores podem provocar oscilações no mercado internacional.

Um dos principais é a relação entre oferta e demanda.

Se a procura por ímãs permanentes crescer mais rapidamente do que a capacidade de produção, determinados elementos podem sofrer pressão de alta.

Por outro lado, a expansão da oferta e o desenvolvimento de tecnologias que utilizam menores quantidades desses materiais podem reduzir essa pressão.

Outros fatores importantes incluem:

  • Aumento da produção de veículos elétricos
  • Expansão de projetos de energia eólica
  • Abertura de novas minas
  • Investimentos em refinarias e instalações de separação
  • Restrições comerciais e controles de exportação
  • Custos de energia e processamento
  • Desenvolvimento de tecnologias de reciclagem
  • Variações cambiais
  • Mudanças nas políticas industriais dos países produtores

A cotação do dólar também influencia a interpretação dos preços no Brasil, já que muitas negociações internacionais utilizam a moeda norte-americana.

Para que servem as terras raras na tecnologia e na indústria?

As terras raras estão presentes em tecnologias que dependem de materiais com propriedades específicas.

Uma das aplicações mais conhecidas é a fabricação de ímãs permanentes de neodímio-ferro-boro.

Esses ímãs conseguem produzir campos magnéticos intensos em componentes relativamente compactos.

Por isso, são utilizados em motores, geradores e diferentes equipamentos eletrônicos.

Terras raras nos carros elétricos

Alguns motores de veículos elétricos utilizam ímãs permanentes produzidos com neodímio e praseodímio.

Dependendo das condições de operação, pequenas quantidades de disprósio ou térbio também podem ser empregadas para melhorar a resistência térmica dos ímãs.

Entretanto, existem veículos elétricos que utilizam motores sem ímãs de terras raras.

Outro ponto importante é que as baterias de íons de lítio mais comuns não dependem necessariamente de terras raras em sua composição.

Materiais como lítio, níquel, cobalto e grafite são frequentemente associados às baterias, mas não pertencem ao grupo das terras raras.

Terras raras nas turbinas eólicas

Determinados modelos de turbinas eólicas utilizam geradores com ímãs permanentes.

Esses componentes podem conter neodímio, praseodímio e outros elementos, dependendo do projeto.

O uso de ímãs permanentes pode oferecer vantagens técnicas em algumas configurações de geradores.

Contudo, nem todas as turbinas eólicas dependem dessa tecnologia.

Terras raras em celulares e computadores

Os dispositivos eletrônicos podem utilizar terras raras em pequenos componentes.

Ímãs de neodímio aparecem em determinados alto-falantes, sistemas de vibração e outros dispositivos compactos.

O érbio possui aplicações importantes nas telecomunicações, especialmente em amplificadores ópticos utilizados em redes de fibra.

Já o ítrio, o európio e o térbio podem ser empregados em materiais luminescentes e outras aplicações eletrônicas especializadas.

Terras raras na medicina

Na área médica, diferentes elementos apresentam aplicações importantes.

Compostos de gadolínio são utilizados em determinados agentes de contraste para exames de ressonância magnética.

O lutécio-177, um radioisótopo produzido por processos nucleares, é utilizado em algumas terapias de medicina nuclear.

O hólmio e o túlio também possuem aplicações em tecnologias de laser utilizadas em procedimentos médicos.

Esses exemplos mostram que as terras raras não estão relacionadas apenas à produção de energia ou à indústria automobilística.

Terras raras no Brasil: onde estão as principais reservas?

O Brasil possui um potencial geológico importante para a produção de terras raras.

O território brasileiro apresenta diferentes ocorrências minerais associadas a esses elementos, incluindo depósitos em rochas alcalinas, carbonatitos e argilas de adsorção iônica.

Entre as regiões e localidades que recebem atenção em projetos e pesquisas estão:

  • Araxá, em Minas Gerais: conhecida por suas ocorrências minerais associadas a complexos alcalino-carbonatíticos
  • Poços de Caldas, em Minas Gerais: região com potencial geológico relacionado a diferentes minerais
  • Catalão e Ouvidor, em Goiás: áreas associadas a complexos minerais com ocorrência de terras raras
  • Minaçu, em Goiás: município que ganhou destaque por projetos relacionados à exploração e ao processamento de terras raras
  • Serra Verde, em Goiás: região de desenvolvimento de produção a partir de depósitos de argilas iônicas
  • Pitinga, no Amazonas: área com ocorrências minerais que incluem elementos de interesse estratégico

A existência de recursos minerais, entretanto, não significa que todos os depósitos estejam em produção comercial.

É necessário avaliar a concentração dos elementos, a viabilidade econômica, a infraestrutura disponível e as exigências ambientais.

O Brasil pode se tornar um grande produtor de terras raras?

O Brasil possui condições geológicas que podem favorecer a expansão desse setor.

Entretanto, transformar recursos minerais em uma indústria competitiva exige investimentos em diferentes etapas.

A extração é apenas uma parte da cadeia produtiva.

Depois dela, é necessário beneficiar o minério, separar os elementos e produzir materiais com as especificações exigidas pelos compradores.

O desenvolvimento de instalações de separação e refino é especialmente importante porque permite agregar valor à produção nacional.

Sem essas etapas, o país pode continuar dependente de outras nações para transformar matérias-primas em produtos industriais de maior valor.

Outro desafio envolve a formação de profissionais especializados e o desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir os impactos ambientais do processamento.

Qual país domina a produção mundial de terras raras?

A China ocupa uma posição central na cadeia mundial de terras raras.

Sua importância não está limitada à mineração. O país também possui grande capacidade de separação, refino e fabricação de produtos industriais derivados desses elementos.

Essa integração oferece vantagens competitivas importantes.

Outros países, como Estados Unidos e Austrália, também possuem operações de mineração e investimentos destinados à ampliação da cadeia produtiva.

A concentração geográfica do processamento representa uma preocupação para governos e empresas que dependem desses materiais.

Quando poucas regiões concentram etapas importantes da produção, problemas comerciais, logísticos ou políticos podem afetar o fornecimento internacional.

Por isso, diversos países procuram diversificar fornecedores e incentivar projetos nacionais.

Por que as terras raras são consideradas estratégicas?

As terras raras são consideradas estratégicas porque participam da fabricação de produtos importantes para a economia e para a segurança nacional.

Alguns elementos são utilizados em sistemas aeroespaciais, sensores, equipamentos de comunicação e aplicações militares.

Outros são fundamentais para determinados motores elétricos, equipamentos industriais e tecnologias energéticas.

A dificuldade de substituir certos materiais sem comprometer o desempenho aumenta a importância de garantir o abastecimento.

Entretanto, o grau de criticidade varia entre os elementos.

O cério, por exemplo, apresenta características de mercado diferentes das do térbio ou do disprósio.

Isso significa que a análise estratégica deve considerar cada elemento individualmente, e não tratar todas as terras raras como se tivessem a mesma disponibilidade ou importância econômica.

Vale a pena investir em terras raras em 2027?

O interesse por investimentos relacionados às terras raras está associado ao crescimento de setores tecnológicos e à busca por cadeias produtivas mais diversificadas.

Entretanto, investir nesse mercado exige atenção aos riscos.

O preço de uma terra rara pode variar significativamente conforme mudanças na produção, na demanda e nas políticas comerciais.

Além disso, o desempenho financeiro de uma empresa mineradora não depende apenas da cotação do mineral.

Custos operacionais, licenciamento ambiental, capacidade de processamento, financiamento e contratos comerciais também influenciam os resultados.

Existem diferentes maneiras de obter exposição econômica ao setor, como ações de empresas de mineração, companhias de processamento e fundos que incluam negócios relacionados a minerais estratégicos.

Antes de investir, é importante observar:

  • A situação operacional dos projetos
  • A capacidade de produção e processamento
  • Os custos de extração e refino
  • A demanda pelos elementos comercializados
  • A concentração de clientes e fornecedores
  • Os riscos regulatórios e ambientais
  • O endividamento das empresas
  • A possibilidade de substituição tecnológica

Também é necessário diferenciar empresas que já possuem produção comercial daquelas que ainda estão em fase de pesquisa ou desenvolvimento.

Projetos promissores podem enfrentar atrasos, dificuldades de financiamento e mudanças na viabilidade econômica.

O mercado de terras raras em 2027 poderá apresentar oportunidades ligadas à eletrificação, à indústria tecnológica e à diversificação do fornecimento mundial. Ainda assim, acompanhar os preços efetivamente negociados, os avanços dos projetos e a evolução da demanda será essencial para compreender quais elementos terão maior destaque ao longo do ano.